Política

Porto Alegre poderá ter faixas para motos

EPTC enviou ofício à Senatran pedindo autorização para iniciar projeto piloto de ‘motovias’

Apelidada de "faixa azul", sinalização semelhante opera em São Paulo desde 2022
Apelidada de "faixa azul", sinalização semelhante opera em São Paulo desde 2022 Foto : Rovena Rosa / Agência Brasil

Um projeto de lei que tramita na Câmara de Vereadores de Porto Alegre busca implementar trechos destinados ao tráfego de motocicletas nas avenidas da Capital. O PL nº 440/22 defende que "a proposta de faixa para motos pode contribuir para a segurança tanto do motociclista quanto dos demais usuários da via". O texto também destaca a necessidade de conscientização junto aos condutores. No último dia 30 de outubro, foi inserida uma subemenda que troca a expressão "faixas exclusivas" por "faixas preferenciais".

Inicialmente, o documento buscava permitir o tráfego de motociclistas nos corredores de ônibus. Segundo a vereadora Mônica Leal (PP), autora do projeto de lei, ele foi alterado em fevereiro deste ano após sinal verde para a elaboração de um estudo técnico para avaliar a viabilidade de faixas destinadas aos motociclistas, e por isso ainda não foi votado pela Câmara. Por meio de nota, a assessoria da EPTC informou o envio de ofício à Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) solicitando autorização para iniciar um piloto, e disse que "trabalha no projeto a ser apresentado ao órgão nacional".

Propostas também para o Estado

No Rio Grande do Sul, projetos similares também tem ganhado tração. O Sindicato dos Concessionários e Distribuidores de Veículos do Rio Grande do Sul (Sincodiv-RS) esteve reunido com o governador Eduardo Leite para reivindicar a ampliação da BR 116 no trecho de Novo Hamburgo até Porto Alegre para a construção de "motovias", apelido dado aos corredores destinados a motocicletas.

O presidente do Sincodiv-RS, Jefferson Furstenau, diz que os estímulos por parte do governo são insuficientes, de modo que a venda dos veículos de duas rodas se torna mais difícil. “Faltam incentivos, como linhas de crédito acessíveis, CNH mais barata para (pessoas de) baixa renda, motovias e passagem automática em pedágios”, exemplifica.

De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) referentes a outubro deste ano, o Rio Grande do Sul ocupa a 18ª posição entre 28 estados no ranking nacional de vendas de motos. Na análise da proporção de motocicletas vendidas a cada carro, o RS registrou o índice de 0,23, ou seja, aproximadamente duas motos a cada 10 carros comercializados. O desempenho é o segundo menor entre todos os estados, na frente de Minas Gerais, com 0,21.

Outra justificativa seria tornar o tráfego de motocicletas mais seguro. Até agosto, o Detran-RS já havia registrado 294 acidentes com morte envolvendo motos, e o número de vítimas motociclistas era de 252 — aumento de 5% em relação ao mesmo período em 2023.

Mais segurança

Para o doutor em Engenharia Civil e professor da UFSM João Rodrigo Guerreiro Mattos, a combinação de infraestrutura precária e comportamento de alguns condutores potencializa as ocorrências de acidentes. "Os números de envolvimentos em acidentes mostram claramente como as motocicletas são veículos bastante vulneráveis no trânsito", avalia o especialista.

Segundo ele, ainda há poucos estudos que mostrem quantitativamente o benefício das motovias, mas Mattos lembra que a segregação de veículos contribui para a maior fluidez no trânsito e o aumento da segurança viária. "Pode-se correlacionar (as motovias) com as ciclovias/ciclofaixas para estimar um cenário otimista de diminuição de acidentes", pondera.

O mototaxista Alan Diogo de Souza dos Santos costuma fazer corridas intermunicipais de três a quatro vezes na semana na Região Metropolitana de Porto Alegre. Alan relata que as fissuras presentes no asfalto da BR 116 fazem com que a moto “não se firme na estrada”, podendo causar acidentes.

Outra insegurança diz respeito ao comportamento dos motoristas em horários de pico. "Eles vão da direita para a esquerda sem ligar o pisca. Fico com receio de tomar uma fechada de um carro. Eu, pelo menos, me sinto inseguro", relata. Sobre as motovias, acredita ser uma boa ideia. "Acho que seria muito bom e é uma ideia viável. Daria mais segurança para nós motociclistas, e seria um grande avanço", conclui.

*Sob supervisão de Simone Schmidt