Política

Porto Alegre tem protesto contra Temer pela terceira semana seguida

Multidão homenageou Ocupação Lanceiros Negros, marchou em ruas centrais e iniciou pequeno incêndio na Ipiranga

Multidão homenageou Lanceiros Negros, ocupou ruas centrais e iniciou pequeno incêndio na avenida Ipiranga
Multidão homenageou Lanceiros Negros, ocupou ruas centrais e iniciou pequeno incêndio na avenida Ipiranga Foto : Tiago Medina / Especial CP
Pela terceira semana consecutiva, manifestantes contrários ao presidente interino Michel Temer foram às ruas de Porto Alegre para protestar contra o governo. A concentração, como das outras três vezes, ocorreu na Esquina Democrática, Centro Histórico da Capital, a partir do fim da tarde desta terça-feira. Segundo os organizadores do evento, cerca de 15 mil pessoas estiveram presentes no início da caminhada. A Brigada Militar não informou a quantidade de participantes.



A marcha foi em sua maior parte pacífica, mas parte do grupo, usando máscaras ateou fogo em jornais e materiais inflamáveis enquanto o protesto bloqueava a avenida Ipiranga, enquanto outros jogavam pedras contra a Brigada Militar e no prédio do Grupo RBS. Ainda assim, após alguns minutos, os próprios participantes insistiram para seguir a manifestação e todos voltaram a caminhar na direção da Cidade Baixa. A polícia se protegeu com escudos e acionou os bombeiros para apagar as chamas, mas não chegou a avançar sobre o protesto.

Em seu princípio, o ato passou pelas ruas General Câmara e Andrade Neves, em frente à Ocupação Lanceiros Negros. Houve uma grande festa e aplausos para o grupo de moradores sem-teto que, durante a manhã conseguiram o adiamento de uma reintegração de posse no prédio que ocupam. A Brigada Militar iria cumprir mandado de reintegração de posse no início da manhã desta terça-feira. Após uma madrugada tensa, a ordem foi suspensa. Também na frente da ocupação, grupo pediu o fim da BM com o coro: “Não acabou, tem que acabar. Eu quero o fim da Polícia Militar”. Alguns dos moradores receberam o protesto com faixas e festa na entrada da antiga construção abandonada do Ministério Público.

A caminhada seguiu pela Borges de Medeiros, onde estendeu uma faixa "Golpe" sob o viaduto da Otávio Rocha e fez várias paradas para puxar gritos de ordem com sua bateria. Foram ouvidos gritos contra Michel Temer, Eduardo Cunha, Romero Jucá e também contra o governador José Ivo Sartori. O grupo também cantou forte "Volta querida, volta querida", pedindo o retorno da presidente afastada Dilma Rousseff.



Ao chegar na Cidade Baixa, a marcha percorreu toda a José do Patrocínio para, posteriormente, pegar a Erico Verissimo em direção à avenida Ipiranga. Foi na chegada à Ipiranga que alguns manifestantes colocaram fogo em jornais e jogaram pedras contra a BM que acompanhava de longe o ato. Os bombeiros logo apagaram o foco de incêndio, enquanto a caminhada voltava para a Erico.

Muitos moradores de prédios da região estenderam faixas, piscaram luzes e mostraram bandeiras de janelas e sacadas, recebendo resposta com festa e gritos da multidão. A mobilização encerrou no Largo Zumbi dos Palmares, onde estava marcado o evento da Virada Cultural.