"A cidade é fruto das escolhas que foram tomadas e daquelas que não foram tomadas. A conta já é impagável e agora precisamos ir na direção contrária e tomar medidas no presente para garantir o nosso futuro. A atual situação não é reflexo somente da crise financeira, mas também de decisões tomadas no passado", explicou.
Marchezan relembrou a polêmica do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) e destacou a importância de ter antecipado o pagamento do tributo em Porto Alegre. "Se não tivesse ocorrido a antecipação do IPTU, o déficit seria de R$ 622 milhões de contratos realizados, em tese cumpridos, honrados pelos fornecedores e não honrados pela prefeitura", explicou. "Nós teremos de tirar recursos dos tributos para garantir a continuidade do Funcriança e da iluminação pública, por exemplo. Desde maio de 2016, os fornecedores com contratos acima de R$ 8 mil não recebem", acrescentou.
Medidas para conter gastos e arrecadar recursos
Para conter os gastos da prefeitura e arrecadar recursos que garantam os serviços essenciais, Marchezan anunciou medidas que serão tomadas pela atual gestão: definição de prioridades e racionalização de eventos; contingenciamento de orçamentos; criação do Cadastro de Inadimplentes Municipal; redução de locações de imóveis com utilização; redução nos repasses para Carris e para Empresa pública de Transporte Circulação (EPTC).
Questionado sobre as críticas do antecessor José Fortunati, Nelson Marchezan afirmou apenas que mostrou fatos sobre as condições financeiras de Porto Alegre. "O ex-prefeito Fortunati pode emitir suas opiniões de todas as formas. O que mostrei aqui é a realidade. E queremos apresentar números ainda mais abertos, para mostrar que não estamos fazendo opções. Há contratos de locações que estamos cancelando, assim como contratos de trabalho e até pagamentos para cargos em comissão", explicou.
Na avaliação de Marchezan, a sociedade porto-alegrense já paga caro demais pela prefeitura. "A população já paga muito pela falta de serviços. Queremos que exista uma troca com o setor privado para que nos entregue trabalhos que atendam a todos, principalmente as pessoas mais carentes, de maneira eficiente. A EPTC, a Carris e a Companhia de Processamento de Dados terão de se adequar. Elas são caras demais", reiterou.