Política

Porto Alegre terá mobilização contra e a favor de Dilma

Protestos neste domingo reúnem grupos que apoiam o governo e quem deseja impeachment

Este domingo será marcado por manifestações de rua em Porto Alegre e nas principais cidades do país, como Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro. De um lado estarão grupos que defendem o impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT), que engrossam o coro dos que acusam o governo de corrupção e que acreditam que os procedimentos adotados pela Polícia Federal, Ministério Público de São Paulo, e pelo juiz Sérgio Moro, no âmbito da Operação Lava Jato, são adequados. De outro estão movimentos que destacam a falta de embasamento legal para o impeachment, que estão revoltados com os chamados “vazamentos seletivos” da Lava Jato, contrário aos procedimentos adotados pelo MP paulista, e que acusam haver em curso no país tentativa de golpe em moldes semelhantes ao de 1964.

A mobilização dos grupos que querem o fim do atual governo, a exemplo das anteriores, é nacional e vem sendo gestada há mais de 30 dias. No RS, está sendo organizada, principalmente, pelos movimentos Vem pra Rua (VPR), Movimento Brasil Livre (MBL) e Brasil Melhor.

O coordenador do VPR no Estado, Antônio Gornatti, adianta que a expectativa é reunir cerca de 100 mil pessoas. O mote no RS será Chega de Corrupção – Fora Dilma. Já em São Paulo, após pesquisa realizada com simpatizantes, o VPR decidiu suprimir a palavra impeachment das convocações, após constatar que ela não tinha tanta aceitação e era vinculada à ascensão do vice-presidente Michel Temer (PMDB). Nacionalmente, os movimentos estão relacionando ao que chamam de defesa da Lava-Jato, da PF, do Judiciário e do MP. “Para nós o principal é que o atual governo precisa sair.

Dependendo de como sair decidiremos como vamos nos colocar”, resume Gornatti a respeito de como o VPR se posiciona a respeito do futuro político do país.

Os que acusam a tentativa de golpe integram a Frente Brasil Popular (FBP), que reúne 42 entidades, movimentos e partidos, como PT e PCdoB, CUT, UNE, Via Campesina e MST. No domingo, a manifestação que acontecerá em capitais como Porto Alegre não se estenderá a todos os estados. As datas de mobilizações nacionais serão dia 18 (em várias capitais) e 31 de março (em Brasília). E sua pauta é mais extensa: combate à corrupção; defesa da manutenção de Dilma no cargo; denúncia de perseguição contra o ex-presidente Lula; reivindicação de mudança na política econômica com discussão sobre dívida pública e manutenção de direitos civis. Até ontem estava confirmada a chegada de 130 ônibus de outras cidades do Estado para a manifestação. “Queremos que toda a corrupção seja investigada. E que erros sejam julgados com amplo direito de defesa. Mas não vamos admitir que usem a corrupção como biombo para um novo golpe”, rebate o coordenador da FBP e presidente da CUT/RS, Claudir Nespolo.

Grupos têm apoio de partidos e empresários

Entre os grupos que organizam manifestações contra e a favor do governo da presidente Dilma Rousseff (PT) há mais do que avaliações diferentes sobre a extensão da corrupção no país ou o modelo econômico adotado. Entre as mais discutidas está a que trata dos apoiadores dos dois movimentos. Grupos como o Vem Pra Rua (VPR) e o Movimento Brasil Livre (MBL) destacam que não são vinculados a partidos políticos ou instituições, e que expressam a insatisfação de amplas parcelas da população. “Não temos apoio de nenhum partido. Os protagonistas somos nós”, reafirma Gornatti.

Na página do Facebook do VPR Brasil, contudo, lideranças partidárias como o deputado federal Carlos Sampaio (PSDB/SP) e o deputado e presidente nacional do PPS, Roberto Freire, gravaram chamadas para o dia 13. No RS, é aguardado o discurso do deputado estadual Marcel van Hattem (PP), que é um dos fundadores do Movimento Brasil Livre (MBL) no Estado, apesar de o PP gaúcho ter cinco deputados federais e um ex-deputado investigados pela Lava Jato. Recentemente, tanto nacionalmente como no RS entidades empresariais também passaram a admitir seu envolvimento na organização dos protestos ou a fazer manifestações públicas pró-impeachment. É o caso da Fiesp em São Paulo e, aqui, da Confederação dos Dirigentes Lojistas (CDL), que adiantou sua presença no ato de domingo.

Já entre os que defendem a continuidade do governo Dilma a participação de lideranças partidárias no domingo e a exposição de movimentos e entidades participantes é destacada. “Não temos nenhum problema com políticos ou partidos. No nosso entendimento, sem partidos não há democracia e sim ditadura. Por isso qualquer pessoa pode conferir na página da Frente Brasil Popular quem a compõe”, assinala o coordenador da FBP no RS, Claudir Nespolo.

Manifestações

A FAVOR DO GOVERNO
Local: Parque da Redenção (em frente aos arcos do Movimento ao Expedicionário). Os ônibus vindos do Interior pararão em frente à Ufrgs e seus integrantes seguirão a pé até o centro da manifestação
Organização: Frente Brasil Popular
Horário: 14h, com concentração a partir das 11h e “coxinhaço” às 12h

CONTRA O GOVERNO

Local: Parque Moinhos de Vento (Parcão)
Organização: Vem Pra Rua, Movimento Brasil Livre, Brasil Melhor e outros movimentos
Horário: 15h, com concentração a partir das 14h