Política

Postura do PMDB-RS gera constrangimento interno

Na hora de maior crise do governo Temer, inserção política do partido no Estado exalta “diferenças”

Na hora de maior crise do governo Temer, inserção política do partido no Estado exalta “diferenças”
Na hora de maior crise do governo Temer, inserção política do partido no Estado exalta “diferenças” Foto : Mauro Schaefer / CP Memória
No mesmo momento em que a cúpula do PSDB decide manter o apoio para que o presidente Michel Temer permaneça no Palácio do Planalto, uma propaganda institucional divulgada esta semana no RS ameaça levar o PMDB gaúcho a um racha interno inesperado. Na peça publicitária que está indo ao ar desde terça-feira, veiculada em inserções de TV e em redes sociais, o governador José Ivo Sartori afirma que “o PMDB daqui é diferente”. A afirmação tem sido interpretada por aliados de Temer como inadequada.

O deputado federal Darcísio Perondi (PMDB), um dos mais vigorosos defensores das políticas de Temer, afirmou que não concorda. “Fui informado sobre esta propaganda por um assessor. Fiquei surpreso e não gostei”, indicou Perondi, de forma taxativa. Para ele, o governo Temer tem mantido esforço por austeridade no país, semelhante ao adotados por Sartori no Estado. “O PMDB nacional até imitou Sartori nisso. Prefiro não comentar mais, pois não assisti à propaganda e não sei por que eu não fui comunicado antes”, disse Perondi.

Para o ministro do Desenvolvimento Social e Agrário, Osmar Terra (PMDB), não há como desvincular o eventual sucesso do governo de Sartori das políticas nacionais do PMDB. “O Regime de Recuperação Fiscal oferecido pelo presidente ao governador Sartori é uma negociação de pai para filho. Com ele, o Rio Grande poderá chegar ao final deste ano saindo do fundo do poço”, argumentou.

O ministro disse acreditar que Sartori transmite imagem de honradez e seriedade, mas analisou que a adesão ao regime federal é fundamental para fortalecer eventual candidatura de Sartori à reeleição para o Piratini em 2018. No entanto, Terra considerou que seu partido costuma assumir postura “mais independente no Estado gaúcho”. “Não votei no Temer, porque não votei na Dilma Rousseff (PT). Sou ministro porque agora temos outra conjuntura. O governo Michel é o governo possível. Se houver algum problema ético intransponível, teremos que encontrar um outro caminho para o país”, justificou Osmar Terra.

Moreira reconhece controvérsia

O presidente do PMDB no Estado, deputado federal Alceu Moreira, reconheceu que a estratégia de propaganda institucional adotada pelo partido pode gerar “uma conotação indesejada”. Desde a semana passada, Sartori ocupa o espaço de inserção na TV em que diz “o PMDB daqui é diferente”. Os discurso tem causado controvérsia, sobretudo onde peemedebistas são atingidos por denúncias.

“Não queremos dizer que o PMDB daqui é melhor ou pior. Temos é um jeito diferente de fazer as coisas”, contemporizou. Para Moreira. “Alguns podem fazer uma leitura de que é soberba dos gaúchos. Talvez este discurso seja lido de maneira diferente em São Paulo, no Rio de Janeiro ou outro Estado”, admitiu.

Ele defendeu a tática de colocar as estatais CEEE, CRM e Sulgás à disposição para serem federalizadas como garantia para que o Estado acesse financiamento associado à dívida com a União, pelo Regime de Recuperação Fiscal do presidente Michel Temer. “O ativo de hoje vai virar passivo, mas a oposição tem barrado a iniciativa do governador. No ano que vem, teremos outra presidência na Assembleia, sem a patrulha ideológica do PT”, criticou.

Moreira revelou que trata a candidatura de Sartori à reeleição como “natural” e disse que o governador detém qualidades que podem ser vistas como “verdadeiras relíquias na política, como coragem e ética”, concluiu. Na recente viagem ao Japão, Sartori chegou a ser questionado sobre concorrer no ano que vem. Desconversou em todas as ocasiões. “Não é o momento de falar disso”, respondia, lembrando que a convenção do PMDB ocorrerá apenas no ano que vem.

Tiago fala em “tragédia nacional”

O deputado estadual Tiago Simon (PMDB) sustenta que o partido possui uma postura histórica distinta da estrutura nacional. “Isso se moldou sob a liderança de pessoas como o senador Pedro Simon, mas foi se perdendo ao longo do tempo”, apontou o deputado. Para ele, Sartori detém qualidades que o credenciam a concorrente para reeleição. “Por isso, não deve submergir dentro dessa tragédia nacional”, analisou.

Tiago Simon refutou a tese, recentemente adotada por peemedebistas, de que existe uma “conspiração” contra Michel Temer. “Não é útil para o partido a tentativa de defender Temer desqualificando a Lava Jato, que é um patrimônio brasileiro”.