Política

PP gaúcho culpa diretório nacional e governo federal por crise

Presidente do partido negou qualquer punição aos citados até o julgamento da ação

Presidente do partido negou qualquer punição aos citados até o julgamento da ação
Presidente do partido negou qualquer punição aos citados até o julgamento da ação Foto : Mauro Schaefer
O PP gaúcho reuniu na segunda-feira sua executiva estadual pela primeira vez após a divulgação de que cinco deputados federais da sigla no RS e um ex-deputado foram incluídos na lista de investigados pelo esquema de desvios de recursos da Petrobras, descoberto na Operação Lava Jato da Polícia Federal. Sob um clima tenso e de constrangimento, o presidente estadual do PP, Celso Bernardi, tentou se desligar da crise culpando o diretório nacional do partido e o governo federal pela situação. A divulgação dos nomes dos progressistas (que representa a totalidade da bancada federal do partido na legislatura passada) gerou a maior crise já contabilizada no PP gaúcho, que participa nacionalmente do governo da presidente Dilma Rousseff (PT) e do secretariado do governador José Ivo Sartori (PMDB) no Estado.

Dos seis integrantes do partido que tiveram os nomes envolvidos, apenas a metade dele compareceu para dar explicações aos correligionários. Após as falas dos deputados Renato Molling, Jerônimo Goergen e do ex-parlamentar Vilson Covatti, puderam ser ouvidos aplausos dos colegas de partido durante o encontro, que foi fechado para a imprensa. Os deputados Luiz Carlos Heinze, Afonso Hamm e José Otávio Germano alegaram estar viajando para Brasília para faltar à reunião.

Bernardi não quis falar em conspiração, mas disse que o partido poderia ter sido punido por ter posições divergentes ao diretório nacional, entre elas, a permanência do partido na base do governo Dilma. O presidente do PP negou qualquer punição aos citados na lista até o julgamento da ação. “O partido continuará acreditando nos deputados até que se prove o contrário. Queremos explicações dos delatores para que indiquem quando e de que forma teriam acontecido os repasses”, afirmou Bernardi.

Durante a reunião, a direção do partido pediu que os deputados citados colaborem com as investigações abrindo mão dos sigilos fiscal, bancário e telefônico. Bernardi também solicitou que os envolvidos não se licenciem do PP durante as investigações, mas Goergen declarou já ter tomado à decisão de se desligar temporariamente da sigla.

Na entrevista, Molling chegou a admitir ter recebido durante a campanha eleitoral para a eleição de 2010 cerca de R$ 200 mil vindos do diretório nacional do partido. O deputado revelou que desconhecia a origem dos recursos.