Política

PP gaúcho nega crise, mas insatisfação interna cresce

Debate sobre o rumo da sigla nas eleições 2026 no Rio Grande do Sul e declaração de deputada sobre decisão causam desconforto em alas do partido

O presidente do partido, Covatti Filho, foi contrário ao posicionamento de Silvana, defendendo candidatura própria
O presidente do partido, Covatti Filho, foi contrário ao posicionamento de Silvana, defendendo candidatura própria Foto : Maria Eduarda Fortes / CP Memória

Desde o início do ano discutindo uma candidatura própria para o governo do Estado em 2026, integrantes do PP ficaram no mínimo desconfortáveis com a manifestação da deputada Silvana Covatti, no último final de semana, de que o partido estaria ‘fechado’ com a candidatura do vice-governador, Gabriel Souza (MDB).

Com uma comissão eleitoral formada desde março para debater o futuro da sigla nas eleições do ano que vem, a ideia de lançar um candidato vem sendo defendida como prioritária por lideranças. “Não se discute vice”, sustentou o presidente de honra do partido, Celso Bernardi. Até porque, argumenta Bernardi, o PP possui nomes competitivos para a disputa ao Piratini, a exemplo de alguns deputados federais e estaduais e do secretário de Desenvolvimento Econômico, Ernani Polo.

A manifestação de Silvana causou tanto estranhamento que o presidente estadual da sigla e filho da deputada, o deputado federal Covatti Filho, foi a público nas suas redes sociais afirmar que segue trabalhando pela candidatura própria.

“Poucas vezes discordei dos meus pais e hoje é uma delas (...) Sempre defendi uma candidatura de centro-direita. O grupo que atualmente comanda o governo tem meu respeito, mas fez escolhas que o distanciam desse campo ideológico”, escreveu Covatti Filho.

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Mas, apesar do movimento de Covatti, que lidera a comissão eleitoral, ter sido bem recebido, ele não sustou as insatisfações que avançam dentro do PP e ultrapassam a situação ocorrida com a fala de Silvana e recaem sobre o monopólio de cargos que o presidente ocupa. Isso porque, além de presidente estadual do partido, Covatti Filho também comandará, aqui no Rio Grande do Sul, a federação entre PP e União Brasil.

A avaliação é a de que, com isso, o deputado acabará centralizando decisões que deveriam ser melhor discutidas e divididas com os demais, incluindo o futuro político do partido.

Portanto, para Bernardi, a manifestação de Silvana deve ser encarada como uma “opinião” da parlamentar, uma vez que o debate sobre o rumo da sigla em 2026 deve ocorrer dentro da comissão eleitoral – e esse futuro é um candidato do PP para o governo do Estado, alega Bernardi.

MDB, PL e federação no mirante do PP

Entre as muitas especulações para futuras chapas, uma é a de que Silvana poderia compor como vice de Gabriel. O PP integra a base do governo de Eduardo Leite (PSDB) desde o primeiro mandato do tucano, ainda que tenha apresentado candidatura própria em 2022, com o senador Luis Carlos Heinze.

Nos bastidores, contudo, também corre a possibilidade de uma aliança com o PL. De forma precoce, ainda em 2024, já havia planos para uma chapa: o deputado federal Luciano Zucco (PL) na cabeça, Silvana na vice e o deputado federal Marcel Van Hattem (Novo) em uma das vagas ao Senado.

Apesar disso, as discussões seguem em aberto – e em harmonia – no PP, sustentam seus integrantes. Com quatro vagas para e eleição majoritária (governador, vice e dois senadores), o partido também precisará discutir a composição deste quadro com o União Brasil, partido com o qual formou federação recentemente e que ainda corre o risco de acabar minguando ante a aliança “forçada”.