Política

Pré-candidatos evitam críticas a Sartori e convergem nas propostas

Primeiro encontro de postulantes ao Piratini foi organizado pela Famurs, nesta sexta-feira

Pré-candidatos ao Piratini participaram de encontro promovido pela Famurs
Pré-candidatos ao Piratini participaram de encontro promovido pela Famurs Foto : Fabiano do Amaral
Durante exatamente uma hora, seis pré-candidatos ao governo do Estado neste ano participaram, na tarde desta sexta-feira, do primeiro encontro, onde apresentaram as suas principais propostas. Questões como redução do tamanho do Estado, caminhos para o fortalecimento da economia e privatizações e concessões ganharam destaque nas manifestações, assim como a questão da revisão do pacto federativo e a relação do Estado e da União.

Promovido pela Federação das Associações dos Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs), em Torres, no Litoral Norte, o encontro contou, por ordem de apresentação, com Miguel Rossetto (PT), Antonio Weck e Luiz Carlos Heinze (ambos dos Progressistas – que dividiram o tempo dos demais), Jairo Jorge (PDT), Eduardo Leite (PSDB), Mateus Bandeira (Novo). Convidado, o pré-candidato do PTB, delegado Ranolfo Vieira Júnior não compareceu por compromissos ligados à secretaria de Segurança de Canoas. O PMDB, partido do atual governador José Ivo Sartori, ainda não definiu seu nome para a disputa de outubro. Com mediação do jornalista Felipe Vieira, da Rádio Guaíba, eles responderam ainda questões dos prefeitos, uma vez que o painel integrou a programação da Assembleia de Verão da Famurs.

O clima foi tranquilo principalmente porque os pré-candidatos responderam perguntas isoladas, não entre si, o que normalmente proporciona os momentos de maior tensão em debates. Entre os pontos que chamaram a atenção foi a ausência de críticas à atual gestão. Os representantes de partidos que estão mais próximos do atual governo apostaram no discurso de “mudança” e de novos caminhos para retomar o crescimento do Estado, como Eduardo Leite, Jairo Jorge, Antonio Weck e Luiz Carlos Heinze.

Diretamente, o candidato do PT, oposição ao governo de Sartori, focou as críticas ao governo federal, do presidente Michel Temer, resumindo o momento eleitoral como de anormalidade política, desde o impeachment de Dilma Rousseff. Por outro lado, quem defendeu algumas medidas federais, como a reforma da Previdência, inclusive no âmbito municipal, foi Mateus Bandeira.

Com a presença de prefeitos, o relacionamento entre governo do Estado e municípios ganhou destaque durante o encontro dos pré-candidatos ao governo do Estado. Questões como ligações asfálticas, apoio ao desenvolvimento regional e repasses de recursos para saúde e segurança ganharam espaço nos questionamentos.

Antes, o presidente da Famurs, Salmo Dias de Oliveira, considerou o momento único. "Esperamos aqui ver um pouco dos nossos pré-candidatos o conhecimento do Estado, aquilo que se pode fazer e como se pode fazer. Porque a população gaúcha está ansiosa por políticos de qualidade", afirmou.



Resumo da participação de cada pré-candidato:

Miguel Rossetto:
Fez críticas ao governo federal e à situação econômica do país. Para ele, a crise precisa ser enfrentada com ação de recuperação e ressaltou que as agendas nacional e estadual "estão mais coladas do que nunca". "Não existe democracia sem federação forte", declarou. Sobre o Estado, criticou as privatizações, citando que em 1998 disseram que o governo teria que privatizar o Banrisul e a Corsan. "Governar é fazer escolhas. Mas deve ser um espaço de cooperação e de valorização da produção de riquezas", justificando que as privatizações não foram feitas.

Antonio Weck:
Defendeu a promoção da união de duas agendas: “A liberal e a da cidadania”. Fez críticas ao atual pacto federativo, que na sua avaliação "não satisfaz na realidade atual das administrações". Destacou ainda que o desafio é ter um "Estado que caiba dentro dele mesmo".

Luiz Carlos Heinze: Para ele, a recuperação do Estado passa pelo setor produtivo. "É preciso fazer formas para que ele possa produzir mais", afirmou. Também ressaltou que a segurança deve ser uma das maiores prioridades do governo, assim como a necessidade de reduzir o valor da logística.

Jairo Jorge: Recordou que durante a sua gestão na prefeitura de Canoas, por oito anos, conseguiu, ao invés de aumentar impostos, reduzi-los e, assim, incrementar a arrecadação. Também defendeu a revisão do pacto federativo. Para ele, o governo do Estado deve ser a "trincheira" desse debate. Defendeu a desburocratização do Estado, para estimular a cadeia produtiva. E que o governador deve liderar a questão da segurança pública. "Não adianta velhos caminhos. Não é o tamanho do Estado que é o centro. O centro é se o Estado funciona."

Eduardo Leite: Destacou que pretende trabalhar para impulsionar o desenvolvimento e que isso passa pela atração de investimentos e de parcerias com a iniciativa privada, como PPPs e concessões. Disse que quer atuar para combater três itens: a burocracia, carga tributária e as condições de infraestrutura. "Precisamos inovar. Há modelos em outros lugares que podem ser usados aqui", disse. Enfatizou que o Estado deve concentrar atuação nas áreas que são de sua responsabilidade. "Governar é fazer escolhas. Caso contrário, não se faz nada 100%."

Mateus Bandeira: Disse ser preciso revisar o pacto federativo, em que 68% da carga tributária fica com a União. Porém, que isso é reflexo do tamanho do Estado, que cresceu muito ao longo das décadas. Destacou que a segurança deve ser prioridade do governo. Defendeu o enxugamento da máquina pública e que o governo deve focar no essencial e na atração de investimentos. "Boa parte dos problemas são sintomas de um modelo falido nas últimas décadas", argumentou. Alertou que os problemas que afligem a União ou o Estado serão no futuro das prefeituras também.