Autoridades e políticos gaúchos com pretensões de disputar cargos na chapa majoritária nas eleições de 2026 adotaram atitudes distintas nas redes em relação à prisão preventiva do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no sábado. E, neste domingo, parte deles deve voltar às redes ou fazer suas primeiras manifestações após a audiência de custódia marcada para as 12h.
Sem compromissos oficiais no final de semana, o governador Eduardo Leite (PSD), que pode concorrer a uma das cadeiras ao Senado no próximo ano, e que trabalha para manter os votos de parte dos eleitores de direita, mesmo os identificados com o bolsonarismo, optou por se dedicar a outros temas no sábado. Nas redes, enquanto o país repercutia a prisão, pela manhã, Leite postava sobre a realização da 38ª edição do Encontro de Artes e Tradição Gaúcha (Enart), em Santa Cruz do Sul.
A mesma postura foi adotada pelo vice-governador e pré-candidato do MDB ao governo, Gabriel Souza. Gabriel foca no eleitorado do centro para a direita. E, conforme seus articuladores, trabalha para ser palanque no RS do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), caso este dispute a eleição presidencial em 2026. Na noite de sábado, enquanto o noticiário tratava da tentativa de Bolsonaro de romper a tornozeleira eletrônica com um ferro de solda, Gabriel postava nas redes vídeo do show da banda Oasis, em São Paulo.
Também não deram atenção à prisão o senador Paulo Paim, um dos cotados do PT para ser novamente candidato da sigla ao Senado, e a ex-deputada Juliana Brizola, pré-candidata do PDT ao governo do Estado. No instagram, no sábado, Juliana repostou fotos e texto assinalando a força de sua pré-candidatura. Paim focou em postagens sobre o recebimento de prêmio em Caxias do Sul e a defesa do fim da jornada 6x1.
Já entre pré-candidatos bolsonaristas, a movimentação nas redes começou cedo. O primeiro a se manifestar foi o deputado federal e pré-candidato do Novo ao Senado, Marcel van Hattem. Às 6h55, em vídeo, ele fez críticas à prisão. À noite, na vigília em frente ao condomínio de Bolsonaro em Brasília, insistiu em que ela se deu injustamente, pela vigília, sem referência à tentativa de rompimento da tornozeleira. E anunciou reunião da oposição para definir estratégias ainda no sábado.
O deputado federal Ubiratan Sanderson, pré-candidato do PL ao Senado, protestou nas redes contra a prisão, repisou críticas ao ministro Alexandre de Moraes e afirmou que o Congresso votará a anistia na próxima semana.
O deputado federal e pré-candidato do PL ao governo, Luciano Zucco, também começou a postar vídeos de protesto ainda pela manhã, afirmando que a prisão não tinha base legal, e mostrando seu retorno a Brasília para acompanhar o caso. À noite, repostou vídeo com declarações de dois dos filhos do ex-presidente.
Entre pré-candidatos do campo à esquerda, a mais rápida foi a ex-deputada Manuela D’Ávila, que vai se filiar ao PSol em dezembro e disputar em 2026 uma cadeira ao Senado. Às 6h de sábado, Manuela repostou uma notícia da prisão. Suas manifestações nas redes seguiram ao longo do sábado, com destaque para o vídeo no qual Bolsonaro admite ter usado um ferro de solda na tornozeleira eletrônica.
O deputado federal Paulo Pimenta, também cotado para concorrer ao Senado pelo PT, mesclou postagens de agendas pelo RS com memes e comemorações da prisão, o vídeo em que Bolsonaro admite ter usado solda na tornozeleira, e um trecho do filme ‘Ainda Estou Aqui’.
O pré-candidato do PT ao governo, o presidente da Conab, Edegar Pretto, repostou vídeo com trecho do discurso da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) no impeachment. Ele também mesclou momentos de agendas no Estado com manifestações dele e de correligionários assinalando o dia como histórico e enaltecendo a democracia.