Segurança alimentar, educação, resiliência climática e tecnologia estiveram entre os temas levantados por representantes de entidades da sociedade civil no terceiro bloco do Debate Granpal, que ocorre nesta sexta-feira (26). O evento reuniu os oito pré-candidatos ao Senado Federal pelo Rio Grande do Sul de partidos com representação no Congresso Nacional.
Frederico Antunes (PSD), Germano Rigotto (MDB), Manuela d’Ávila (PSol), Marcel van Hattem (Novo), Milton Cardoso (PSDB), Paulo Pimenta (PT), Renato Jaguarão (Cidadania) e Ubiratan Sanderson (PL) tiveram um minuto e 30 segundos para responder às perguntas, conforme sorteio. Cada pré-candidato pôde escolher outro participante para comentar a resposta.
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O primeiro questionamento ficou a cargo da presidente da Associação Comercial e de Serviços de Alvorada (Acial), Cassia Susana da Rosa Veloso, que indagou sobre investimentos em infraestrutura estratégica de mobilidade na Região Metropolitana.
O sorteado para responder foi Ubiratan Sanderson (PL). O pré-candidato destacou a importância da renegociação da dívida com a União, que classificou como "produto da irresponsabilidade de gestores”, para ampliar investimentos em mobilidade. Sanderson apontou que a questão fiscal do Estado deve ser o maior compromisso dos senadores e defendeu a valorização aos prefeitos.
O escolhido para comentar foi Marcel van Hattem (Novo), que, em concordância, ressaltou a importância de focar nos investimentos necessários para o Rio Grande do Sul e destacou melhorias já conquistadas em termos de malha rodoviária.
Na sequência, o reitor da Feevale, José Paulo da Rosa, indagou Marcel van Hattem (Novo) sobre educação à distância e estratégias para o fortalecimento das universidades comunitárias.
Em resposta, o pré-candidato afirmou que é fundamental investir em educação e melhores tecnologias. Ele disse que é preciso observar qual modalidade de ensino se adequa melhor a cada região do Estado, e citou como exemplo bem-sucedido os investimentos na “rede de telessaúde”, que, segundo ele, teve “papel importante durante a pandemia”.
O comentário ficou por conta de Manuela D’Ávila (PSol), que chamou atenção para as crises na educação. A pré-candidata defendeu que as universidades comunitárias são “imprescindíveis”, e destacou que é preciso se adaptar à realidade do ensino à distância.
O terceiro questionamento foi proposto pelo secretário executivo da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Rio Grande do Sul, Kaliton Prestes, que perguntou a Milton Cardoso (PSDB) sobre segurança nutricional e valorização da agricultura familiar.
O pré-candidato iniciou a sua fala destacando o aumento na taxa de suicídios no meio rural gaúcho. Após chamar atenção para a crise de saúde mental entre agricultores, Cardoso criticou o recente acordo do Mercosul, que classifica como prejudicial ao Brasil. O participante aproveitou para exaltar o agronegócio e criticar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Paulo Pimenta (PT) comentou, em resposta, que o governo federal tem compromisso com a agricultura familiar. Reconheceu as “dificuldades” que os agricultores têm passado nos últimos anos, e destacou a necessidade de mais políticas públicas para apoiar trabalhadores rurais.
A representante de Relações Institucionais do Instituto Caldeira, Luciane Pinheiro, indagou, na sequência, sobre propostas para conectar inovação e desenvolvimento regional.
Germano Rigotto (MDB) exaltou o cenário da inovação em solo gaúcho. O participante respondeu que o Rio Grande do Sul conta com uma realidade “diferenciada” em termos de interação entre Universidade, poder público e empresas. Ele destacou ainda que, com investimentos adequados, a Região Metropolitana de Porto Alegre pode se tornar o “Vale do Silício da América Latina”.
Milton Cardoso (PSDB) utilizou o seu tempo de comentário para tecer críticas ao Supremo Tribunal Federal. O pré-candidato defendeu que não é possível mudar o País sem “limpar o STF e resgatar o papel do Senado”. Para isso, defendeu que o Estado “não pode errar nesta eleição”.
O diretor de Influência da Coalizão, Ronald Krummenauer, indagou, em seguida, Frederico Antunes (PSD) sobre resiliência climática.
O pré-candidato exaltou o papel do governo Eduardo Leite (PSD) na reconstrução do Estado. Além disso, destacou a importância da criação do RS Invest para atrair novas empresas ao Rio Grande do Sul e ampliar possibilidades de negócios. Embora tenha enumerado pontos positivos, ponderou que é preciso reinserir as pautas gaúchas nos “grandes debates da Federação”.
O comentário foi de Germano Rigotto (MDB), que apontou para “investimentos pesados em reconstrução”, citando ações do prefeito de Porto Alegre, Sebastião Melo (MDB), e da Granpal durante as inundações. Ele defendeu, contudo, que é preciso preparar o Estado para novos eventos.
Na sequência, Renato Jaguarão (Cidadania) respondeu ao diretor do Tecnosinos - Parque Tecnológico de São Leopoldo, Silvio Bitencourt da Silva, sobre manutenção e ampliação de incentivos fiscais à inovação.
O participante afirmou que possui um projeto “muito claro”. Segundo Jaguarão, caso seja eleito, sua primeira proposta será o direcionamento de parte dos recursos arrecadados pelas bets para investimentos em “tecnologia do bem”. A ideia do pré-candidato é utilizar as verbas para que jovens possam criar projetos de tecnologia e se inserir no mercado de trabalho.
O escolhido para comentar foi Ubiratan Sanderson (PL), que afirmou que a inovação tecnológica é um desafio para o Estado. Ele citou investimentos federais em tecnologia que não chegaram em solo gaúcho e destacou a importância de atrair novas empresas no Rio Grande do Sul.
O diretor Executivo da Coalizão, Tarso Oliveira, lançou o penúltimo questionamento sobre articulação entre os setores da economia gaúcha e medidas de longo prazo para a reconstrução do Estado.
Quem respondeu foi Manuela D’Ávila (PSol ). A pré-candidata citou o trabalho que realizou durante as inundações de maio de 2024 em um abrigo para mulheres. Ela disse que é preciso posicionar o Rio Grande do Sul como protagonista no debate sobre mudanças climáticas, destacando que é preciso investimentos permanentes não para reconstrução, mas para preparação para novos eventos climáticos extremos.
Ao comentar, o pré-candidato Frederico Antunes (PSD) ponderou que há mais convergências do que divergências entre os pré-candidatos, defendendo a importância da união entre setores da sociedade para a enfrentar os eventos climáticos.
A pergunta final ficou novamente sob responsabilidade do reitor da Feevale, José Paulo da Rosa. O representante indagou Paulo Pimenta (PT) sobre propostas para melhorar a qualidade da educação.
O participante disse sempre ter acreditado no potencial da escola pública como ferramenta de transformação. Pimenta destacou políticas públicas para financiamento da educação, e reforçou que é preciso “recolocar a educação como mola propulsora” para o projeto do Estado. Ele citou a precarização da educação pública e os baixos salários aos professores, afirmando que o ensino deve ser “prioridade”.
Em comentário, Renato Jaguarão (Cidadania) apontou que a Receita Federal precisa repassar mais recursos aos municípios. O pré-candidato mencionou a falta de estrutura nas escolas, os altos índices de evasão escolar e a baixa qualidade do ensino.
*Sob supervisão de Thiago Padilha