A movimentação na Câmara começou na madrugada. Ao menos 30 pessoas aguardavam na fila em frente ao Legislativo para acompanhar a sessão. São necessários dez votos para a cassação da prefeita e do vice. Nesse caso, quem assume a prefeitura de Gravataí é o presidente da Câmara Municipal, vereador Nadir Rocha (PMDB), que fica no cargo por 60 dias até a escolha de um novo prefeito pelos vereadores. Gravataí é o quarto município do Estado em receita de arrecadação.
Contrariando a ampla maioria dos casos de perda de mandato, a comissão processante que investiga a prefeita não traz evidências de atos de corrupção. A oposição, que soma dez dos 14 vereadores do Legislativo, exatamente o mínimo de votos necessários para determinar a cassação, levou adiante um processo integrado por 11 denúncias contra Rita e duas contra Kingeski, todas envolvendo questões administrativas. "Não há crime ou corrupção. Estamos diante de um golpe", declarou Rita.
Outro componente do episódio é a guerra política que atinge Gravataí, incluindo a expulsão de dois vereadores do PT que se tornaram inimigos do governo e a busca por vingança. Das três denúncias consideradas mais graves, duas se referem a renegociações de dívidas do município com a CEEE e a Corsan, ambas aprovadas pela Câmara. A terceira cita um ex-procurador do município, que permaneceu no cargo por cerca de um mês e que teria atuado na advocacia privada com a filha da prefeita. "A renegociação das dívidas foi feita a partir de leis que eles (vereadores) aprovaram. A questão do procurador é outra mentira", disse.