Política

Prefeito de Porto Alegre exonera CCs indicados pela base aliada

José Fortunati reagiu ao pedido de criação de CPI da Procempa

Mauro Pinheiro entregou requerimento ao presidênte da Câmara, Dr. Thiago Duarte
Mauro Pinheiro entregou requerimento ao presidênte da Câmara, Dr. Thiago Duarte Foto : Ederson Nunes / CMPA / CP
O prefeito José Fortunati (PDT) decidiu exonerar os cargos em comissão (CCs) ocupados por indicação dos três vereadores da base aliada que assinaram o requerimento de criação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Companhia de Processamento de Dados de Porto Alegre (Procempa) na Câmara da Capital, protocolado nessa quarta. As exonerações dos CCs indicados pelos vereadores Cláudio Janta (PDT), Lourdes Sprenger (PMDB) e Séfora Mota (PRB) serão publicadas no Diário Oficial do município desta quinta.

O vice-prefeito da Capital, Sebastião Melo (PMDB), responsabilizou os vereadores aliados pelas exonerações decididas ontem pelo prefeito. Melo afirma que Janta, Lourdes e Séfora abriram mão de ocupar espaços no governo no momento em que assinaram a CPI. Ele disse ainda que esperava que os três vereadores de sua base tivessem comunicado a decisão antecipadamente ao líder do governo, Airto Ferronato (PSB), que está afastado da Câmara de Vereadores por estar em licença-médica.

Melo garantiu que o governo municipal não fará nenhum movimento para impedir a criação da CPI em Porto Alegre. Ele frisou que a operação do Ministério Público estadual desencadeada na terça-feira partiu do relatório de inspeção especial encomendada por Fortunati em abril, que apontou irregularidades na Procempa e que acabou originando duas sindicâncias internas em andamento. "Que a CPI venha e esclareça o que já está esclarecido", afirmou.

Os vereadores da base que assinaram o requerimento de criação da comissão foram incisivos ao afirmar que não se arrependem do ato de assinatura. Janta disse que chegou a sugerir duas vezes que a prefeitura iniciasse uma CPI. 'Não entrei na política por cargos ou para indicar cargos em comissão. Se essa é a atitude do governo Fortunati, eu não posso fazer nada.'

Lourdes apontou que nunca pautou seu mandato por cargos políticos. "Se para o governo é conveniente retaliar os vereadores que querem investigar denúncias, então que o faça", disse. Séfora, que está de licença-saúde desde segunda-feira, disse que ficou decepcionada com a atitude do prefeito. "O requerimento nem precisava da minha assinatura, pois já tinha as outras, mas assinaria novamente", declarou.

Pedido de CPI desencadeou crise

Protocolado nessa quarta, com 14 assinaturas, o requerimento de instalação de CPI na Câmara para apurar irregularidades na Procempa pegou de surpresa os presidentes municipais dos partidos dos três vereadores que subscreveram o pedido. Vieira da Cunha, do PDT, agendou reunião, na segunda-feira, entre a executiva da sigla e a bancada de vereadores para avaliar a posição de Claudio Janta. "Vamos ouvi-lo (Janta) e ouvir os outros vereadores. A partir desse debate, vamos definir o que fazer", declarou.

Valter Nagelstein, do PMDB, foi enfático ao apontar que o ato de Lourdes Sprenger (PMDB) terá consequências. "E todas elas são muito ruins", afirmou. Ele disse que conversá com Sebastião Melo, vice-prefeito, para tomar alguma decisão. "Expulsão não é caso, mas precisamos pensar em questões de reflexos partidários," disse.

Waldir Canal, do PRB, disse que não foi consultado sobre a atitude de Séfora Mota. "Confesso que fui pego de surpresa no plenário durante anúncio do protocolo de CPI, porque ela não me comunicou. É uma posição dela, isolada, independente da bancada", relatou. O presidente estadual do PRB, Carlos Gomes, disse que a decisão de Séfora não pode ser entendida como posição de bancada ou partidária. "Também não é posição contrária ao governo. Trata-se de decisão pessoal, de alguém eleito para fazer escolhas e tomar decisões", disse.

Apesar de necessitar de 12 assinaturas, o pedido de CPI formulado pela bancada do PT, que faz oposição a Fortunati, tomou corpo com a adesão de três governistas. Dois vereadores do PSD, que se posiciona como independente na Câmara, além de nove da oposição, constam no requerimento. Proponente da CPI, o vereador Mauro Pinheiro (PT) presidirá a CPI.

MP inicia análise de documentação

O Ministério Público gaúcho iniciou ontem a análise das caixas de documentos apreendidas durante a operação Sete Chaves na terça-feira. O dinheiro encontrado nas residências de três dos quatro alvos de mandados de busca e apreensão, R$ 136 mil, foi depositado em juízo. De acordo com a promotora responsável pelo caso, Martha Weiss Jung, ainda não há uma previsão acerca do tempo necessário para a conclusão do inquérito. "Sumiram muitos processos administrativos da Procempa. O objetivo da operação foi encontrar esses documentos", explicou.

Os mandados cumpridos pelo MP foram motivados por uma série de denúncias anônimas, que apontavam os alvos como possíveis detentores de processos e contratos desaparecidos. A investigação corre em segredo de Justiça.

Operação Sete Chaves

O Ministério Público gaúcho, com o auxílio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e da Promotoria de Justiça de Defesa do Patrimônio Público, deflagou na terça-feira a operação Sete Chaves para apurar irregularidades na Companhia de Processamento de Dados do Município de Porto Alegre (Procempa).

Além do atual conselheiro da Procempa Claudio Manfrói, um dos principais dirigentes do PTB, dois ex-funcionários da companhia – o ex-presidente André Imar Kulczynski e o ex-gerente financeiro Ayrton Fernandes – prestaram esclarecimentos à Polícia Civil.

Manfrói foi detido para prestar esclarecimentos sobre a posse de revólveres, pistolas e uma espingarda de uso restrito em casa. Também foram cumpridos mandados de busca er apreensão na residência da ex-diretora administrativa e financeira, Giorgia Pires Ferreira.


Bookmark and Share