Política

Prefeitos "marcham" para pedir repasse de verbas do transporte escolar

Famurs diz que Estado compromete o equilíbrio fiscal das prefeituras em nome do equilíbrio fiscal do Estado

Cerca de 30 prefeitos marcharam em comitiva da Assembleia Legislativa ao Palácio Piratini para entregar ao chefe da Casa Civil, Otomar Vivian, a Carta da 1ª Marcha Gaúcha, encerrada na tarde de hoje em Porto Alegre. Entre as principais reivindicações estão o repasse do valor real gasto pelas prefeituras no transporte escolar de alunos da rede estadual de ensino e a alteração no texto da proposta que cria o Piso de Atenção Básica (PAB) estadual.

O presidente da Famurs, Marcus Vinícius Vieira de Almeida, informou Vivian que a entidade faria uma emenda ao Orçamento 2010 para corrigir os valores do transporte escolar. No entanto, Vivian acordou em acertar uma suplementação, em uma reunião marcada para a próxima semana. "Há municípios que estão gastando R$ 75,00 por dia para uma linha enquanto recebem R$ 3,80. Nossa intenção é, a partir de janeiro, construir uma fórmula com base em estudo técnico da Famurs, para, a partir de 2011 - independente de quem seja o gestor do Estado-, os municípios recebam 100% do valor gasto no transporte escolar", antecipou.

Para 2010, a Famurs reivindica R$ 10 milhões, passando dos atuais R$ 50 milhões para R$ 60 milhões. No entanto, Almeida frisou que os prefeitos devem esperar até o fim das negociações para assinar o termo de cooperação. "O prefeito não deve comprometer o equilíbrio fiscal da prefeitura, em nome do equilíbrio fiscal do Estado do Rio Grande do Sul", enfatizou o presidente da Famurs.

Acompanhado dos prefeitos, Almeida foi a Comissão de Constituição e Justiça da AL pedir a alteração do texto do projeto de lei do PAB estadual. "O repasse está atrelado a outros programas como da Saúde da Família e Primeira Infância, e metas de vacinação e controle da taxa de mortalidade. A Famurs reivindica que o repasse seja fundo a fundo. "Hoje os municípios estão pleiteado R$ 1,25 por habitante por mês em saúde e a proposta, atrelada aos programas, é de R$ 0,70 por habitante por ano", ressaltou Almeida.

Formalmente na carta, os prefeitos lamentaram a ausência de representantes do Judiciário e do Ministério Público para discutir o problema da utilização de assistentes sociais e psicólogos servidores da prefeitura pelo poder. "Este tema é conflitante nos municípios. Estes servidores ficam a serviço do Judiciário sem qualquer compensação financeira. Os prefeitos têm arcado com o alto custo dos procedimentos do Judiciário. Gostariamos que todos os profissionais tivessem o mesmo tratamento, afinal o médico, o arquiteto, o engenheiro, são remunerados como peritos. Queremos respeito com os profissionais e com a gestão local", criticou.