Política

Prefeitura de Porto Alegre esclarece que não tem obras com Odebrecht

Construção da III Perimetral se tornou alvo de investigação da Lava Jato

A Prefeitura de Porto Alegre esclareceu que não possui obras com a empreiteira Odebrecht, já que a construção da III Perimetral se tornou alvo da investigação da Polícia Federal (PF) no âmbito da operação Lava Jato. Nesta segunda, quando foi desencadeada a 35ª fase, denominada Omertà, o delegado Filipe Hille Pace citou, durante coletiva, que foi identificado o pagamento de propinas relacionadas a obras na Capital.

Após a coletiva, a Prefeitura de Porto Alegre informou que não teve nos últimos oito anos - 2009 a 2016 - nenhuma obra contratada com a Odebrecht. Em nota divulgada no site, o Executivo municipal detalhou as obras e as respectivas construtoras executantes:


• Viaduto São Jorge – Construtoras Cidade e Sultepa;
• Trincheira da Anita Garibaldi – Construtoras Sultepa (que iniciou a obra), Pelotense e Cidade (que estão concluindo);
• Rótula da Plínio – Construtoras Pelotense, Compasul e Serki;
• Trincheira da Cristóvão Colombo – Construtora EPT;
• Trincheira da Avenida Ceará – Construtoras Compasul, Toniolo Busnelo e Sogel.

A Companhia Brasileira de Projetos e Obras (CBPO), que foi incorporada à Odebrecht em 1980, atuou na construção de pavimento do trecho seis da III Perimetral, entre as avenidas Ipiranga e Bento Gonçalves, e Bento Gonçalves até a avenida Teresópolis, em um trecho de 4,5 quilômetros. O contrato no valor de R$ 22,6 milhões, foi assinado em novembro de 2000 e a obra foi entregue em março de 2003.

As obras foram realizadas durante um período que englobou três prefeitos do município de Porto Alegre. Foi assinada pelo ex-prefeito Raul Pont (PT), em novembro de 2000. Via Facebook, o Partido dos Trabalhadores disse que a citação da obra da III Perimetral, em Porto Alegre, apareceu estranhamente nas denúncias e que a publicização espetaculosa deste tipo de suspeita, às vésperas da eleição, não consegue esconder o interesse claro de interferir no andamento dos pleitos municipais, inclusive na Capital. “Isso é inaceitável”, informou a nota.




Raul Pont saiu da Prefeitura em 31 de dezembro de 2000. Tarso Genro (PT) assumiu o cargo em 1º de janeiro de 2001 e permaneceu até 4 de abril de 2002, quando renunciou para concorrer ao governo do Estado. Após a renúncia de Tarso, quem assumiu foi o vice-prefeito da época, João Verle, até 31 de dezembro de 2004. Verle morreu em novembro do ano passado.

Questionado sobre o assunto pela reportagem do Correio do Povo, o ex-governador disparou: “não vou falar sobre isso que tu estás pretendendo, me perdoa. Já faz 14 anos que saí da Prefeitura, então é difícil falar sobre isso.” Já a assessoria de imprensa da Odebrecht disse que não vai se manifestar sobre o caso.

O delegado Filipe Hille Pace também citou outros empreendimentos no país, enquanto detalhava a relação entre o ex ministro da Fazenda Antonio Palocci, que foi preso hoje, com o grupo Odebrecht. “Marcelo Bahia Odebrecht coordenava e autorizava diversos pagamentos de propina, não só para Antonio Palocci, mas para obras de vários níveis de administração, federal ou estadual. Ele tinha ciência e autorizava tais pagamentos”, explicou o delegado.

Pace afirmou que estão provados, por meio de documentos, pagamentos relacionados a várias obras. Além da III Perimetral de Porto Alegre, o delegado citou o metrô de São Paulo, contratos com a empresa metropolitana de transportes urbanos de São Paulo; reformas de centros educacionais; metrô do Rio de Janeiro; porto de Laguna; contrato de processamento e tratamento de lixo em São Paulo; obras de reforma de presídios e casas de custódia no Rio de Janeiro; obras de reforma no aeroporto Santos Dumont, modernização do autódromo de Jacarepaguá; das piscinas olímpicas do Panamericano de 2007.