O presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, Otto Alencar (PSD-BA), anunciou neste domingo, 21, que colocará em votação a PEC da Blindagem na quarta-feira, 24, com o objetivo de "sepultá-la de vez". A proposta, já aprovada na Câmara dos Deputados, impede o andamento de processos criminais contra parlamentares sem a autorização do Congresso Nacional. Isso significa que o Supremo Tribunal Federal (STF) precisaria de um aval para prosseguir com qualquer ação penal contra um legislador.
Em entrevista à GloboNews, Alencar reforçou sua posição contrária à PEC, ecoando o sentimento de grande parte do Senado. O relator do projeto na Casa, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), já se manifestou contra a proposta e deve apresentar seu parecer na quarta. Segundo o presidente da CCJ, o texto será o primeiro item da pauta de votações, o que demonstra a intenção de dar um fim rápido à discussão. Alencar acredita que a impopularidade da medida, especialmente em ano pré-eleitoral, será um fator decisivo para a sua rejeição.
Repercussão negativa e protestos
A aprovação da PEC na Câmara gerou uma forte repercussão negativa em todo o país. Neste domingo, atos foram convocados por centrais sindicais, partidos de esquerda e artistas em todas as capitais e em pelo menos 30 outras cidades. Em São Paulo, na Avenida Paulista, o protesto reuniu cerca de 42,4 mil pessoas.
Os manifestantes expressaram sua indignação por meio de cartazes, que chamavam o Congresso de "inimigo do povo" e apelidavam a proposta de "PEC da Bandidagem". O movimento popular, somado à pressão política, tende a ser um peso significativo na decisão final do Senado sobre a proposta.