Política

Presidente do Conselho de Ética encerra sessão e convoca nova reunião para quinta

José Carlos Araújo realizou sorteio para eleger novo relator do processo contra Eduardo Cunha

Marcada por muitas discussões, reunião do Conselho de Ética foi suspensa
Marcada por muitas discussões, reunião do Conselho de Ética foi suspensa Foto : Lucio Bernardo Junior / Câmara dos Deputados / CP
* Com informações da Agência Estado e Agência Câmara

O presidente do Conselho de Ética da Câmara, José Carlos Araújo (PSD-BA), suspendeu na tarde desta quarta a sessão que analisa o parecer contra o presidente da Casa, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Uma nova sessão foi convocada para esta quinta-feira, às 9h30min. "Não posso colocar em risco uma decisão que o Brasil espera. Tenho que fazer aquilo que o povo quer”, disse.

Araújo realizou o sorteio para a escolha do novo relator do processo. Ficaram de fora  todos os oito titulares membros do bloco PMDB/PP/PTB/DEM/PRB/SD/PSC/PHS/PTN/PMN/PRP/PSDC/PEN/PRTB. Os nomes sorteados foram os dos deputados  Leo de Brito (PT-AC), Marcos Rogério (PDT-RO) e Sérgio Brito (PSD-BA).

Araújo havia proclamado Zé Geraldo (PT-PA) como substituto do relator Fausto Pinato (PRB-SP). Diante das manifestações apelando para um novo sorteio, voltou atrás. O deputado Marcos Rogério (PDT-RO) defendeu precaução na decisão em nome da probidade do processo disciplinar. "O que não pode é deixar o processo viciado", declarou.

O deputado Júlio Delgado (PSB-MG) disse que a situação era humilhante para o colegiado e que a manobra se tratava de "jogatina". "O que estamos vivendo aqui nunca vivemos. Isso é um circo que está sendo montado porque quem está sendo julgado é o presidente da Casa", disse.

Alguns membros da Mesa Diretora, como a deputada Mara Gabrilli (PSDB-SP) e o deputado Alex Canziani (PTB-PR), vieram à sessão informar que a decisão que retirou o relator Fausto Pinato (PRB-SP) da função foi exclusiva do vice-presidente Waldir Maranhão (PP-MA), aliado de Cunha.

Reclamações

Antes do encerramento da sessão, o deputado Carlos Marun (PMDB-MS) disse que Araújo não poderia ter permitido que o deputado Paulo Azi (DEM-BA) votasse no primeiro requerimento que pedia o adiamento da votação e disse que a gravação comprova que Araújo já tinha encerrado a votação no momento em que Azi adentrou no colegiado. O deputado Júlio Delgado (PSB-MG) lamentou o processo. “É humilhante o que estamos vivendo no Conselho de Ética.  Hoje seria a sexta sessão para votar a admissibilidade. Isso é um circo que está sendo montado porque quem está sendo julgado é o presidente da Casa”, criticou.

O deputado Alex Canziani (PPS-SC), que é membro da Mesa, disse que não participou da tomada da decisão.