Após a Executiva do PSB se declarar contrária aos modelos de reformas trabalhista e previdenciária apresentadas pelo governo de Michel Temer (PMDB), o presidente nacional da legenda, Carlos Siqueira, afirmou nesta terça-feira, em entrevista à Rádio Guaíba, que se sente “decepcionado” com a gestão do peemedebista. Para ele, o Planalto não se mostrou responsável com as conquistas sociais adquiridas pela população nos últimos 30 anos.
“Tenho que confessar a minha decepção com este governo em matéria de sensibilidade social. Porque a proposta que foi apresentada (por Temer), e agora já está inteiramente modificada, mas a intenção do governo era fazer aprovar aquela proposta da cabeça do ministro (Henrique) Meirelles, que nada entende de previdência e nem de políticas sociais, é uma revogação da principal conquista social que tivemos nos últimos 30 anos, que foi justamente a seguridade social, que criou o sistema de saúde, de assistência, de previdência. De modo que isso não tem o menor sentido que isso seja aprovado por um partido socialista. Nós teríamos que revogar o nosso programa e mudar de nome se tivéssemos que aprovar matérias dessa natureza”, afirmou Siqueira.
Mesmo o partido possuindo o comando da pasta de Minas e Energia, sob a administração do deputado Fernando Bezerra Filho (PE), o presidente do PSB também declarou que a sigla nunca indicou algum nome do partido para assumir ministério. Com isso, ele considera que o PSB nunca foi base do governo Temer.
“Temer achou por bem escolher um dos nossos deputados, mas não foi indicação nossa, foi escolha dele. De maneira que nunca nos sentimos obrigados a votar todas as matérias com o governo. Sentimos obrigados a votar as matérias que consideramos importantes para a superação das diferentes crises por que passam o nosso país, infelizmente. Mas essas duas matérias são muito contraditórias com a nossa história da maneira que elas foram apresentadas. E também não somos um partido que trocamos ideias por cargos”, assegurou o presidente do PSB.
Questionado como a decisão do partido de votar contra as propostas do governo chegou a Temer, o presidente do PSB respondeu apenas que “não tem nenhuma satisfação a dar” para o presidente da República. Siqueira disse lamentar que as propostas do governo revelam “uma inflexão liberal conservadora” que é “inaceitável” pelo PSB.
Presidente do PSB justifica oposição à reforma trabalhista: “Teríamos que mudar de nome”
Carlos Siqueira afirma que partido não se sente base do governo Temer, apesar de ter ministro