O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, defendeu nesta terça-feira a indisponibilidade dos bens de todos os envolvidos na Operação ''Caixa de Pandora'', da Polícia Federal, que investiga o "Mensalão do Distrito Federal".
Segundo Mendes, o "Mensalão do DF" ainda está na esfera policial, mas quando chegar à esfera jurídica terá o acompanhamento do Ministério Público Federal, que poderá oferecer denúncias contras os acusados. Para o ministro, os envolvidos terão tempo de se defender, mas enquanto isso poderão ter os bens colocados em indisponibilidade pela Justiça "até que seja separado o joio do trigo".
"Trata-se de um caso gravíssimo, em que se exige reflexão e ação imediata de todos os setores responsáveis. Mas o Judiciário tem feito sua parte. O STF e o STJ (Superior Tribunal de Justiça) podem dar celeridade aos processos com a convocação de juízes para atuarem como juízes instrutores, por exemplo", afirmou. As declarações de Mendes foram feitas durante entrevista coletiva em Maceió, quando questionado sobre o esquema de corrupção envolvendo autoridades do Executivo e Judiciário do Distrito Federal.
No inquérito da operação ''Caixa de Pandora'', da Polícia Federal, o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (DEM), e seu vice, Paulo Octávio (DEM), são acusados de envolvimento em um esquema de pagamento de propina a deputados distritais e aliados. As propinas eram pagas por empresas que prestam serviço ao governo do DF.
Arruda é apontado como o mentor do esquema, desbaratado por meio de gravações que mostram o próprio governador recebendo um maço de dinheiro, quando ainda era candidato ao governo do DF, nas eleições de 2006.
Durante a coletiva, o ministro disse que as investigações se revelam cada vez mais estarrecedoras. "Não se trata de algo incólume. O processo segue o rito normal. Muitas dessas pessoas, por exemplo, terão seus bens declarados indisponíveis", emendou Gilmar Mendes, mostrando-se preocupado com a imagem do poder público diante de escândalos como esse.
Presidente do STF defende bloqueio de bens de envolvidos na "Caixa de Pandora"
Gilmar Mendes considera "gravíssimo" caso do mensalão do Distrito Federal