Política

Presidente do STF defende folga de 60 dias para juízes

Cezar Peluso disse que excesso de trabalho faz magistrados morrerem prematuramente

Presidente do STF, Cezar Peluso, defende folga de 60 dias para juízes
Presidente do STF, Cezar Peluso, defende folga de 60 dias para juízes Foto : Wilson Dias/ABr
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Cezar Peluso, disse hoje que os juízes têm uma rotina pesada de trabalho e devem ter folga de 60 dias, sendo 30 de férias e 30 de recesso no final do ano. Por causa do excesso de atividades, ele disse que juízes morreram prematuramente.

"Sei que os magistrados não têm dia e não têm hora para trabalhar. A grande maioria trabalha sábado e domingo", disse Peluso durante audiência pública na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. "Já assistimos à morte prematura de vários juízes por enfarte", afirmou. Atualmente, os juízes têm direito a gozar anualmente de duas férias de 30 dias mais um recesso de cerca de 15 dias no final do ano.

Peluso também defendeu na CCJ a manutenção do foro privilegiado para autoridades. Por meio desse privilégio, autoridades somente podem ser investigadas e julgadas perante tribunais enquanto que os cidadãos comuns submetem-se a um juiz de primeira instância.

Segundo Peluso, isso não é privilégio concedido a determinadas pessoas, mas "um instituto que está ligado à garantia do exercício de determinadas funções, em particular ao exercício de funções de autoridades do País".

Se o foro acabasse, um juiz novato, de primeira instância, poderia, por exemplo, determinar o afastamento até do presidente da República, disse Peluso. Um eventual recurso poderia demorar meses ou até anos para ser julgado pelo STF. De acordo com o presidente do Supremo, a proposta é inviável e desconsidera relações hierárquicas.

Impunidade

Peluso respondeu a críticas feitas durante a audiência pelo senador Pedro Simon (PMDB-RS) por causa da impunidade que existe no País. Simon observou que o STF, que é o tribunal responsável por julgar algumas autoridades, como parlamentares, nunca condenou ninguém.

"O problema da impunidade, aliás, como tudo na vida, não pode ser objeto de simplificação porque toda simplificação é extremamente perigosa", afirmou Peluso. "Os tribunais não têm por função constitucional condenar ninguém, mas julgar", disse. "O Supremo Tribunal Federal não põe nada dentro da gaveta. As vicissitudes que ocorrem e que explicam a demora de alguns processos se devem a outras causas de caráter objetivo e não à negligência de ministros do Supremo Tribunal Federal ou coisa semelhante", concluiu.