Política

Presidente do Uruguai se solidariza com Dilma: “Estamos com você, companheira”

Tabaré Vázquez saudou líder brasileira por sua "lealdade institucional"

Tabaré Vázquez (a direita) saudou líder brasileira por sua lealdade institucional
Tabaré Vázquez (a direita) saudou líder brasileira por sua lealdade institucional Foto : Norberto Duarte / AFP / CP
O presidente do Uruguai, Tabaré Vázquez, se mostrou solidário à Dilma Rousseff, que enfrenta um processo de impeachment no Congresso Nacional. Nesta segunda-feira, durante a 49ª Cúpula do Mercosul, em Assunção ele manifestou apoio à presidente brasileira.. "Estamos com você, companheira Dilma", afirmou o presidente do Uruguai, que agora tem a presidência temporária do Mercosul.

Vásquez saudou a presidente por sua "lealdade institucional", responsabilidade política e integridade pessoal. "As complexidades inerentes à sua investidura e o projeto de país que representa. Estamos com você, companheira", declarou.

A chanceler venezuelana Delcy Rodríguez também expressou solidariedade em nome do presidente Nicolás Maduro. "Repudiamos todo o acosso que está sendo dirigido à presidente Dilma Rousseff", afirmou.

Em seu discurso na Cúpula do Mercosul, Dilma já tinha relacionado o fim da crise política como condição necessária para a retomada da economia brasileira. "A reorganização do quadro fiscal do Brasil logo trará resultados positivos, juntamente com o fim da crise política que tem afetado o meu segundo mandato desde o seu início", afirmou.

No dia em que dará posse a Nelson Barbosa como ministro da Fazenda, Dilma disse também que o governo brasileiro trabalha em medidas de estímulo às exportações e aos investimentos em infraestrutura para que o País entre em um "novo ciclo". Ela defendeu o combate à inflação, a consolidação da estabilidade macroeconômica e a volta da confiança na economia como ingredientes para a retomada do crescimento econômico.

"Junto com uma política fiscal, de consolidação, estamos desenvolvendo também um novo ciclo que será marcado por maior estímulo às exportações e ao forte investimento em infraestrutura e energia. O aumento da produtividade favorecerá os investimentos e ajudará na maior geração de empregos", afirmou.

De acordo com a presidente, a economia brasileira entrou em recessão como consequência da lentidão da recuperação mundial e, sobretudo, da violenta queda dos preços das commodities. Esses fatores, segundo ela, afetaram o crescimento brasileiro "de forma conjuntural". Ela afirmou que a economia ainda tem elevadas reservas internacionais e finanças sob controle.

Venezuela

Dilma tomou partido pela Venezuela na discussão sobre direitos humanos durante a 49ª Cúpula do Mercosul. Ela saudou o presidente Nicolás Maduro e o povo venezuelano pelo "espírito
democrático" das últimas eleições.

Segundo Dilma, a principal conquista do Mercosul foi a consolidação e construção da democracia depois de anos de autoritarismo. "Essa região foi a que mais incluiu e mais garantiu participação dos nossos povos no desenvolvimento da sociedade", discursou a presidente. Depois, elogiou as eleições na Argentina e na Venezuela.

Maduro desistiu de comparecer à cúpula alegando problemas domésticos. No entanto, os chanceleres não chegaram a um acordo sobre duas medidas propostas pelo Paraguai que garantia o
compromisso da Venezuela com os direitos humanos, incluindo a possibilidade de o país ser suspenso do bloco, caso não seguisse as determinações.

A Argentina também defendeu uma posição mais firme do bloco na declaração dos presidentes sobre o tema dos direitos humanos. Antes de Dilma, o presidente da Argentina, Mauricio Macri, pediu à Venezuela que liberte os presos políticos. Ele defendeu que o Mercosul busque "democracias verdadeiras".