Apesar de ter em mãos um mandado da Justiça de reintegração de posse do plenário da Câmara Legislativa do Distrito Federal, o presidente interino da Casa, Cabo Patrício (PT), vai tentar uma saída pacífica com os estudantes, sindicalistas e integrantes de movimentos sociais que ocupam há três dias o local em protestos contra o governo de José Roberto Arruda (DEM).
Uma reunião entre Patrício e os manifestantes está marcada para amanhã, às 11h. Com isso, eles permanecem, pelo menos, mais uma noite no plenário. A liminar concedida pela Justiça determina a saída imediata da Câmara. Se descumprirem a decisão judicial, a Câmara Legislativa pode usar a força policial para retirar os ativistas.
Mesmo evitando falar em convocar policiais para retirar os manifestantes, o deputado foi taxativo ao dizer que a sessão plenária prevista para a próxima terça-feira será realizada. O principal argumento de Patrício é que os pedidos de impeachment contra Arruda e as investigações de deputados distritais que teriam recebido dinheiro para apoiar o governo Arruda não podem ficar paradas por conta do protesto.
“Vamos realizar a sessão ordinária de terça-feira de qualquer maneira”, afirmou Patrício aos jornalistas, após reunião com um grupo que ocupou a Câmara. “A sociedade não pode ficar refém da corrupção e nem de um movimento".
O deputado disse que a recusa dos parlamentares em comparecer à sessão sob o pretexto de insegurança por causa da ocupação, como ocorreu na última sessão, não será aceito.
Os manifestantes afirmam que irão resistir até que Arruda peça demissão. Ele é suspeito em investigação da Polícia Federal de liderar um esquema de pagamento de propina a deputados distritais em troca de apoio político.
Patrício informou que já encaminhou à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) os dois pedidos de impeachment que receberam parecer favorável do procurador-geral, José Edmundo. O atual presidente da comissão é o deputado Raad Massouh (DEM). Ele ocupou o cargo depois que Rogério Ulysses (PSB) pediu afastamento da comissão. Ulysses é um dos distritais que teria recebido dinheiro ilegal.
Presidente interino da Câmara do DF vai tentar saída pacífica
Manifestantes ocupam a Casa há três dias em protestos contra o governo de Arruda