Política

Presos na Operação Saqueador aguardam tornozeleiras para deixar presídio

Justiça concedeu prisão domiciliar ao grupo nesta sexta-feira

Antes de seguirem para casa, eles serão transferidos do Presídio Ary Franco
Antes de seguirem para casa, eles serão transferidos do Presídio Ary Franco Foto : Fernando Frazão / Agência Brasil / CP
Os cinco presos na Operação Saqueador da Polícia Federal ainda não foram liberados neste sábado do sistema penitenciário para cumprir prisão domiciliar por falta de tornozeleiras eletrônicas. De acordo com a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap), antes de seguirem para casa, eles serão transferidos do Presídio Ary Franco, em Água Santa, zona norte do Rio de Janeiro, para o Presídio Bangu 8, na zona oeste, onde ficam os presos com curso superior.

O Plantão Judiciário da Justiça Federal no Rio de Janeiro negou na tarde deste sábado o pedido de prisão domiciliar sem tornozeleiras eletrônicas dos cinco presos na Operação Saqueador da Polícia Federal. Segundo a Seap, os equipamentos devem chegar apenas na próxima quinta. 

O presidente da Delta Construção, Fernando Cavendish, e os empresários Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, Marcelo José Abbud, Adir Assad e Cláudio Abreu tiveram mandado de prisão expedido na quinta-feira, acusados de fazer parte de um esquema de corrupção e lavagem de dinheiro público capitaneado pela empreiteira Delta Construção.

O advogado de Marcelo José Abbud e Adir Assad, Miguel Pereira Neto, disse que resta uma petição simples a ser apreciada pelo Plantão Judiciário e tem esperanças de que seus clientes sejam soltos ainda hoje. "Ainda acredito que, por uma questão de coerência e razoabilidade, o tribunal vai decidir ainda hoje que eles devem esperar em casa pelas tornozeleiras. Mas se o tribunal proibir, cabe uma reclamação, quando uma instância originária descumpre uma decisão do tribunal, que é uma instância superior", explicou. Segundo o advogado, Abbud tem uma condição diferenciada por possuir tornozeleiras desde que foi condenado no processo da Lava Jato.

Prisões

Na sexta-feira, a Justiça concedeu prisão domiciliar aos presos a pedido dos advogados de defesa. O Ministério Público Federal (MPF) informou que vai recorrer da decisão do desembargador Antonio Ivan Athié, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, que concedeu prisão domiciliar aos presos.

Cavendish foi preso nesta manhã no aeroporto internacional do Galeão no Rio de janeiro, após desembarcar de um voo da Europa. Ele passou pelo Instituto Médico-Legal antes de ser encaminhado para o presídio Ary Franco. Nas ações do dia 30, o empresário não foi encontrado em casa, no Leblon, zona sul do Rio. Ele havia deixado o país no último dia 22 com destino à Europa.

Os acusados terão que comparecer quinzenalmente em juízo a todos os atos do processo, estão proibidos de manter contato com os demais investigados, de deixar o país, devendo entregar o passaporte em até 48 horas. O advogado de Cachoeira, Marcel Verssiani, espera que o cliente seja solto ainda hoje e informou que Cachoeira cumprirá a pena domiciliar em Goiás, onde mora.

Operação Saqueador

Segundo a denúncia, o esquema da organização criminosa tinha mais de 22 envolvidos e desviou mais de R$370 milhões entre 2007 e 2012. Por meio da Delta, eram repassados valores para 18 empresas de fachada, com contratos fictícios. As investigações apontam que os desvios serviam para pagar propinas a agentes públicos.

Foi verificado ainda aumento dos valores dessas transferências em anos de eleições. Foram feitas transferências, por exemplo, de R$ 80 milhões para uma obra inexistente chamada Transposição do Rio Turvo, no Rio de Janeiro.