Política

Pressão por sanções a Alexandre de Moraes tem resposta reversa em discusão na Câmara dos EUA

James P. McGovern ironizou fala de Paulo Figueiredo sobre liberdade política norte-americana: “Você viu um senador ser derrubado e algemado”

Deputado norte-americano, James McGovern
Deputado norte-americano, James McGovern Foto : US Rep / Divulgação CP

A aposta de bolsonaristas para acelerar a aplicação de possíveis sanções contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, parece não ter surtido o efeito desejado. Uma audiência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos, realizada nesta terça-feira, com a participação do blogueiro Paulo Figueiredo, terminou em embate com o deputado democrata James P. McGovern.

Durante suas considerações finais, Figueiredo afirmou que se sentia seguro como jornalista nos Estados Unidos e descreveu o país como 'o mais livre do mundo'. Em resposta, McGovern ironizou: 'Fico feliz que você se sinta seguro como jornalista nos Estados Unidos. Eu, como político, não tenho certeza de me sentir tão seguro, mas essa é a realidade'.

Figueiredo retrucou, questionando se o país teria 'presos políticos'. McGovern respondeu mencionando o ataque a opositores do presidente Donald Trump e afirmou: 'Você acabou de ver um senador ser derrubado no chão e algemado. Também vimos pessoas sendo alvos de assassinato político neste país', em referência a ex-presidente da Câmara estadual, Melissa Hortman, e seu marido, Mark, mortos a tiros dentro de casa, em Brooklyn Park. Figueiredo concluiu dizendo que o congressista seria 'bem-vindo ao Brasil para ver como lá é pior'. McGovern rebateu: 'Estou tentando salvar a nossa democracia [norte-americana]'.

Em seu perfil no X, Paulo Figueiredo publicou uma foto da audiência e escreveu: 'Grande dia'. Durante a audiência, Figueiredo mencionou o pronunciamento do senador Marco Rubio que, em audiência na Câmara, declarou que 'há uma grande possibilidade' de Moraes ser alvo de sanções com base na Lei Magnitsky, e cobrou urgência na decisão, afirmando que, se isso não acontecer logo, o Brasil estará no 'ponto de não retorno'.

Ele também citou os casos do deputado licenciado Eduardo Bolsonaro (PL) e da deputada Carla Zambelli (PL) como alvos de perseguição política no País, afirmando que Zambelli estava nos Estados Unidos para um 'tratamento médico' e Eduardo temia uma prisão no Brasil. Figueiredo também mencionou o CEO da Rumble, Chris Pavlovsky, e Elon Musk como vítimas de Moraes. Paulo Figueiredo e Eduardo Bolsonaro atuam juntos na busca por sanções contra o ministro do STF. Internamente, no entanto, bolsonaristas avaliam que o deputado federal não conseguiu, até o momento, obter resultados concretos.

O congressista Chris Smith, do partido Republicano, que preside a comissão ao lado de McGovern, não conseguiu comparecer à audiência. Ele enviou uma carta a Moraes em maio deste ano, afirmando que foram constatadas 'graves violações' contra os direitos humanos por parte do governo brasileiro. Eduardo Bolsonaro também compartilhou a foto de Paulo Figueiredo, afirmando que 'medidas podem ser tomadas após a oitiva dos declarantes'.