Prestes a anunciar sua saída do PSDB rumo ao PSD, o governador Eduardo Leite e seu grupo de articuladores aumentaram, nesta semana, os esforços para evitar uma debandada de lideranças e a perda de peso político. O grupo quer evitar especulações sobre o que muda em relação a participação no governo, indicações e pleitos de lideranças e organização nas cidades.
Depois de Leite fazer uma reunião virtual com prefeitos e vices tucanos para tratar de sua saída, na noite de quarta-feira, nesta quinta pela manhã foi a vez da presidente estadual do partido, Paula Mascarenhas, se reunir com vereadores e presidentes municipais da legenda para tratar do assunto. O PSDB tem hoje no RS 35 prefeitos, 27 vices e 308 vereadores.
A estratégia visa que o maior número de partidários possível se mantenha fiel, evitando um esfacelamento. O objetivo é que Leite siga à frente de um grupo de deputados, prefeitos, vices, vereadores e lideranças estaduais e municipais, quer eles permaneçam na sigla que resultar da fusão do PSDB/Podemos, quer acompanhem o governador para o PSD.
“Há uma tendência de conhecermos a definição do governador até esta sexta-feira. O que posso dizer é que a reunião de ontem (quarta) foi muito boa, as pessoas têm muito respeito. Estão um pouco ansiosas, mas o clima é de muita compreensão. O governador falou sobre seus movimentos, e dos motivos pelos quais cogita uma troca de partido, mas não fez anúncios. Tanto a de quarta como a desta manhã são reuniões que visam manter um alinhamento, o relacionamento e os princípios que temos como grupo político”, elenca Paula.
Dentro desta perspectiva, ela adiantou que não deixará o PSDB agora. Pretende permanecer no partido pelo menos até o final de seu mandato. Inicialmente, a atual direção fica até novembro, mas a data pode mudar em função dos ajustes que serão feitos a partir da fusão com o Podemos. “Se o governador decidir sair, eu pretendo seguir, no mínimo, até completar o meu mandato. Tenho uma responsabilidade institucional, ética, com o partido.”
Conforme a dirigente, mesmo confirmada a saída do governador, o PSDB também não vai deixar de estar presente no governo estadual. “Se, por acaso, nosso maior líder sair, a sigla continua comprometida com o projeto. Tenho muita afinidade com o Eduardo, e quando começamos na política estávamos em partidos diferentes. Não é a legenda que vai nos separar.”