Política

Primeiro ano do governo Sartori registra déficit orçamentário de R$ 4,9 bilhões

Rombo nas finanças é quase três vezes superior ao registrado em 2014

Números constam no Balanço Orçamentário de 2015, divulgado pela Secretaria Estadual da Fazenda
Números constam no Balanço Orçamentário de 2015, divulgado pela Secretaria Estadual da Fazenda Foto : Palácio Piratini/Divulgação CP
O governo do Estado divulgou, nesta quinta-feira, balanço geral do Rio Grande do Sul que aponta um déficit nos cofres públicos de R$ 4,9 bilhões em 2015. O rombo nas finanças do primeiro ano do governo Sartori é quase três vezes superior ao registrado em 2014.

Os números constam no Balanço Orçamentário de 2015, divulgado pela Secretaria Estadual da Fazenda. Conforme o secretário da Fazenda, Giovani Feltes, a recessão que o país atravessa é um dos fatores determinantes para explicar o resultado. “Há tempos vinha alertando que a economia brasileira vem derretendo feito sorvete ao sol, pois isto agora está nítido com o PIB negativo de 3,8%, o pior desempenho em 20 anos”, lamentou.

A receita orçamentária fechou 2015 em R$ 50,21 bilhões, registrando queda nominal de -0,39%, mas que chega -10,07% se considerada a inflação do período. Além de R$ 1,2 bilhão no recuo da arrecadação de tributos, outros fatores que pesaram negativamente são a redução das transferências da União (-6,18%) e a impossibilidade de obter novos empréstimos (ingresso com operações de crédito caiu mais de 90%).

Em contrapartida, as despesas orçamentárias fecharam o ano em R$ 55,15 bilhões e tiveram crescimento nominal de quase o dobro das receitas. O que mais pesou neste item das despesas foi o avanço nominal de 9,89% dos gastos com pessoal e encargos da folha do Estado como um todo (saltaram de R$ 30.54 bilhões em 2014, para R$ 33,56 bilhões em 2015).

No Poder Executivo, em particular, o avanço das despesas com o quadro de servidores avançou acima da inflação, saltando de R$ 26,80 bilhões para R$ 29,78 bilhões. No fechamento do exercício, o Executivo comprometeu 49,18% da sua receita corrente líquida, superando o limite máximo de 49% exigido pela LRF (Lei de Responsabilidade Fiscal). O relatório elaborado pela CAGE (Contadoria e Auditoria-Geral do Estado) aponta que o crescimento dos gastos com inativos e pensionistas foi mais acentuado ainda: de R$ 10.53 bilhões para R$ 11,98 bilhões (13,82% de crescimento nominal).

Serviços da dívida e déficit previdenciário

O secretário da Fazenda salientou durante encontro com jornalistas o quanto o cenário de receita em queda e despesas crescendo ampliam “os problemas estruturais que já são históricos”. O ano passado registrou um aumento no déficit previdenciário de 16,79% nominais, alcançando agora R$ 8,47 bilhões (mais de R$ 1,2 bilhão em relação a 2014). Enquanto a receita da previdência se manteve praticamente estável, em R$ 3,76 bilhões, a saída de recursos chegou a R$ R$ 12,23 bilhões (foi de R$ 11,01 bilhões em 2014).

Outro desencaixe de dinheiro que cresceu no ano passado foi o serviço da dívida pública. Para pagar juros e amortizar uma dívida que já chega a R$ 62,27 bilhões (interna e externa), o Estado precisou dispor de R$ 3,74 bilhões, o que significa 14,141% nominal a mais do que em 2014. “Se somarmos o déficit da previdência com o custo da dívida, são mais de R$ 12 bilhões por ano. Algo que seria suficiente para cobrir nosso déficit e investir em obras e melhoria dos serviços, como a segurança, como nunca se viu na história”, argumentou Feltes.

Educação, saúde e segurança

Em 2015, o governo do Estado registrou 33,7% de sua receita corrente líquida em aplicação na educação. Conforme a Fazenda, é a maior marca da série histórica, alcançando R$ 8,84 bilhões de gasto no setor, R$ 727 milhões a mais do que o ano anterior. Num comparativo com o ano de 2010, os valores nominais destinados para o ensino público estadual quase duplicaram.

Saúde e Segurança

De acordo com o governo, o Estado cumpriu com a destinação mínima de 12% da sua arrecadação com os serviços de saúde. Ao todo, foram mais de R$ 4,18 bilhões (12,2% da RLIT). Na apresentação do relatório, o secretário apontou para dois aspectos: os investimentos em saúde triplicaram nos últimos seis anos e o peso maior para respeitar os 12% recai sobre as finanças estaduais. “Do total gasto em saúde, 77% saiu dos nossos impostos. O SUS inclusive teve queda nos repasses em relação a 2014”, criticou Feltes.