A prisão do presidente do grupo Odebrecht, Marcelo Odebrecht, afetou o mercado financeiro nacional e inclusive internacional, nesta sexta-feira. Executivos que não quiseram se identificar admitiram estarem "perplexos". "pasmos", "Incrédulos", entre outros. Herdeiro de uma dinastia de empreiteiros, o empresário é neto de Norberto Odebrecht, que fundou o grupo em 1944, e filho de Emílio Odebrecht, que presidiu a companhia até 2001.
Tamanho é o poderío de capital e das conexões da empresa, que um ex-executivo da companhia vaticina: "Se ele quiser, derruba todo mundo. Tudo que está aí. Mas não acredito que vá fazer", apontou. Ele lembrou, contudo, da passagem de Ailton Reis, um diretor da Odebrecht que por volta de 1994 teve uma série de documentos, que poderiam comprometer a construtora, apreendidos em sua casa, em Brasília. Durante a Comissão Parlamentar de Inquérito dos Anões do Orçamento, que investigava propinas pagas a parlamentares para obtenção de emendas, Ailton foi firme, apesar dos documentos, segundo esse executivo. "A Odebrecht cuida de seus funcionários, dá suporte à família, paga os melhores advogados." A empresa não teve nenhuma acusação confirmada.
O temor entre executivos era de que os bancos restrinjam ainda mais a oferta de crédito - não apenas para a Odebrecht e Andrade Gutierrez, alvos da 14ª fase da Lava Jato, mas para todo o setor. "Vai ficar mais difícil para a infraestrutura", avaliou o executivo de uma companhia que não é investigada, mas que atua na área. Funcionários de bancos confirmaram o temor: "A redução de crédito tende a ser generalizada", disse um deles. Já um executivo que teve sua empresa investigada nas primeiras fases lamentou: "Se tivesse sido todo mundo junto no começo, não teria afetado ninguém. Mas dividiram. Nós já sofremos e agora são eles que vão sangrar".
Odebrecht é um dos dez mais ricos do país
Marcelo Odebrecht é considerado um dos homens de negócios mais bem formados e influentes do Brasil e sob sua gestão o grupo atingiu a marca de R$ 100 bilhões em faturamento. Arrojado, foi ele o responsável por fazer a empresa avançar na petroquímica, com a consolidação da Braskem, na construção de grandes hidrelétricas, e na internacionalização, abrindo novos canteiros de obras em 21 países, incluindo os controversos Cuba e Venezuela, onde o grupo atua com apoio financeiro do BNDES. Sua fortuna pessoal, avaliada em R$ 15 bilhões, o coloca na lista dos 10 mais ricos do país, segundo levantamento do banco UBS em parceria com a Wealth-X.
Não foi à toa que a notícia de sua prisão nesta quinta-feira, causou um furor em investidores no Brasil e também pelo mundo. As ações da Braskem caíram 9%. Os títulos externos, que somam R$ 30 bilhões, também foram afetados. Os bancos fizeram as contas e fecharam as torneiras imediatamente.
Prisão de Odebrecht gera temor de mais denúncias e enxugamento do crédito
Executivo que não quis se identificar sentencia: "Se quiser, ele derruba todo mundo"