Política

Promotoria de São Paulo pede prisão preventiva de Lula

Pedido ocorre por caso do tríplex no Guarujá

MP paulista pediu prisão de Lula
MP paulista pediu prisão de Lula Foto : Evaristo Sa / AFP /CP
Na denúncia contra o ex-presidente Lula, sua mulher e seu filho Fábio Luiz Lula da Silva protocolada nesta quarta-feira, o Ministério Público de São Paulo pediu a prisão preventiva do ex-presidente. Além de Lula também foi pedida a prisão preventiva do ex-tesoureiro do PT, João Vaccari Neto e do empreiteiro Léo Pinheiro, da OAS, e de outros dois investigados do caso Bancoop.

•  Leia a íntegra do pedido do MP-SP


É a primeira vez que o Ministério Público pede a prisão do ex-presidente, acusado de lavagem de dinheiro e falsidade ideológica ao supostamente ocultar a propriedade do tríplex– oficialmente registrado em nome da OAS.

Nesta tarde, em entrevista a jornalistas, o promotor Cássio Conserino, um dos responsáveis pela denúncia, evitou responder se havia pedido a medida cautelar contra o petista. “Só vamos falar sobre a denúncia”, disse.

Na denúncia de 102 páginas assinada por Conserino, José Carlos Blat e Fernando Henrique Moraes de Araújo a Promotoria detalha as suspeitas levantadas ao longo das investigações que ouviram mais de 20 testemunhas, incluindo engenheiros responsáveis por reformas no imóvel e até zeladores do edifício Solaris.

Lula e família são denunciados por falsidade ideológica e lavagem de dinheiro

Os promotores Cássio Conserino e José Carlos Blat detalharam em entrevista coletiva nesta quinta-feira as denúncias contra Lula pelo caso do tríplex. O ex-presidente e mais 15 pessoas, entre elas a mulher, Marisa Letícia, e o filho mais velho do casal, Fábio Luiz Lula da Silva, o Lulinha, foram enquadrados por falsidade ideológica e lavagem de dinheiro.

Na coletiva, o promotor Cassio Conserino disse que o MP não trabalha preocupado com a repercussão política dos fatos. “O Ministério Público não trabalha com calendário político ou qualquer outro tipo de calendário. O nosso calendário é judicial. O Ministério Público está pautado em prazos legais e judiciais, pouco importando se este ou outro procedimento tenha qualquer tipo de repercussão política ou social”, afirmou.

Em 2006, quando se reelegeu presidente, Lula declarou à Justiça eleitoral possuir uma participação em cooperativa habitacional no valor de R$ 47 mil. A cooperativa é a Bancoop que, com graves problemas de caixa, repassou o empreendimento para a OAS. A Polícia Federal e a Procuradoria da República suspeitam que a empreiteira pagou propinas a agentes públicos em troca de contratos fraudados na Petrobras.

A reforma, contratada pela empreiteira OAS, alvo da Operação Lava Jato, custou R$ 777 mil, segundo o engenheiro Armando Dagre, sócio-administrador da Talento Construtora. Os trabalhos foram realizados entre abril e setembro de 2014.