Política

PSB avalia hoje saída do governo Tarso

Assunto divide integrantes da sigla, que já entregou cargos em Brasília

A executiva do PSB gaúcho avalia nesta segunda-feira, às 18h, se o partido deve deixar o governo Tarso Genro (PT). A reunião pode ou não ser definitiva, já que parte do partido defende a realização de cinco encontros regionais para tratar do assunto. O tema voltou à pauta no Estado depois de, na semana passada, a sigla ter decidido entregar seus cargos no governo da presidente Dilma Rousseff (PT), sob o argumento de que o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), será candidato à Presidência. No RS, a entrega dos cargos esbarra no fato de o partido ter o segundo posto mais importante no governo, o do vice-governador Beto Grill, além do comando da Pasta da Infraestrutura, ocupado por Caleb de Oliveira.

Um dos principais nomes do PSB gaúcho para a disputa por uma vaga na Câmara dos Deputados em 2014, Grill só sairia do cargo se renunciasse, o que não é cogitado nem pelos que defendem o abandono imediato da administração Tarso, como o líder da sigla na Assembleia, deputado Miki Breier. "A relação sempre foi ruim e agora ficou mais complicada, então devemos sair o quanto antes, mas o vice foi eleito e permanece", diz Breier. A decisão sobre a saída do governo divide o partido. "Nunca vi alguém fazer mala de viagem se não tem para onde ir", rebate o líder da bancada na Assembleia, deputado Heitor Schuch.

Na cúpula da executiva, integrada pelo presidente, o deputado federal Beto Albuquerque, e três vices - Caleb, Schuch e Grill - é Albuquerque quem defende a saída a curto prazo. Caleb, além de considerá-la precipitação, assegura não ter qualquer problema de relacionamento no governo ou com os petistas. "O que ocorre é justamente o contrário."

Falta consenso sobre alternativas

Mais do que os reflexos no Estado da saída do PSB do governo da presidente Dilma Rousseff, os 25 integrantes da executiva estadual do PSB devem discutir hoje quais as alternativas para o caso de deixarem o governo no Rio Grande do Sul. Neste ponto, também não há consenso. A exemplo do que fez durante as negociações para as eleições de 2010, o presidente do partido, o deputado federal Beto Albuquerque, tem feito movimentos em direção ao PP, que pretende lançar como candidata ao Piratini a senadora Ana Amélia Lemos. Por enquanto, contudo, não há garantia de que o PP gaúcho ofereça o palanque para uma candidatura de Eduardo Campos à Presidência, já que os integrantes do PP no RS avaliam a possibilidade de apoiar a candidatura do senador Aécio Neves (PSDB).

O deputado estadual Miki Breier está entre os que defendem como alternativa "menos desconfortável' a costura de uma aliança com o PDT. "O melhor para nós seria que o PDT nacional seguisse o Eduardo Campos e aqui lançasse o deputado Vieira da Cunha ao governo, com nosso apoio", resume. O deputado Heitor Schuch, que vai disputar uma vaga na Câmara dos Deputados em 2014, levará para a reunião de hoje a proposta de que o partido lance candidato próprio ao governo gaúcho. "No passado, em situação muito mais desfavorável, tivemos candidato. Hoje participamos de 160 prefeituras, temos 30 prefeitos e vices, 210 vereadores e muito mais gente para colocar a mão na foice."

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