A princípio, a costura entre PSB e Cidadania para uma nova federação no país está bem encaminhada. Após meses de negociações, os presidentes nacionais dos partidos se reuniram nessa semana em Brasília para fechar os detalhes do acordo.
“Essa questão está sendo conversada e discutida nos partidos há mais de quatro meses. Nos últimos 90 dias, fizemos várias rodadas de conversas online com presidentes estaduais, três reuniões da executiva nacional e aprovamos, na segunda-feira dessa semana, por unanimidade, a continuidade de um projeto político com o PSB”, afirmou à reportagem o presidente nacional do Cidadania, Comte Bittencourt.
No PSB, os trâmites internos também estão concluídos. “Para nós, já está aprovado também, desde o nosso congresso nacional, no dia 31 de maio. Para nós, esse assunto já está nas linhas de colocar no papel. Depois que foram proibidas coligações, cresceu a força das federações. É uma tendência. Imagina: se os grandes fizeram… se os partidos médios e pequenos não fizerem, correm o risco de não fazerem nominata”, disse o deputado federal gaúcho, Heitor Schuch (PSB), único deputado federal do partido pelo RS.
O principal empecilho, agora, é jurídico. O Cidadania está, no papel, federado com o PSDB - apesar de, na prática política, esse casamento já estar encerrado já há algum tempo. A união tem validade em lei até março de 2026.
Atualmente, há consultas em tramitação junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre a possibilidade de encerramento da federação antes do período de quatro anos. A jurisdição que instituiu a ferramenta estabelece punições para o caso de uma federação ser encerrada antes, como a perda de acesso ao fundo partidário até o fim do prazo mínimo de união e a proibição de fazer coligações nas duas eleições seguintes. O PSDB, que tem negociado possíveis fusões com diferentes siglas, também está atrelado a essa regra.
PSB também negocia com o PDT
Em menor grau de avanço em relação à aliança com o Cidadania, o PSB também negocia com o PDT para compor uma força política de centro-esquerda. Uma federação PDT-PSB quase foi concretizada às vésperas das eleições municipais de 2024, mas acabou saindo. Em 2025, as tratativas foram retomadas, mas esfriaram - muito em virtude da crise dos irmãos Ferreira Gomes no PDT no Ceará, estado que é um dos redutos do partido.
No Rio Grande do Sul, uma federação é vista com bons olhos por integrantes de ambos os lados.
“A direção nacional já tem autorização para conversar com PDT e Solidariedade para fazer essa costura. Aqui no RS, defendemos que consigamos fazer com o PDT também. O PDT estava mais avançado antes da eleição municipal, mas o clima esfriou e as direções nacionais não avançaram. Há cerca de dois anos, reunimos todos os deputados dos dois partidos para um almoço em Porto Alegre para discutirmos essa possibilidade. Na Câmara dos Deputados, durante os 10 anos em que estou lá, os partidos devem ter votado juntos 95% dos projetos”, afirmou o deputado federal Heitor Schuch (PSB).
Apesar de não estar a par das negociações que são conduzidas na esfera federal, o presidente do PDT-RS, Romildo Bolzan Júnior, vê com bons olhos uma aliança permanente com o PSB. “Por mim, não faria federação com o PSB. Por mim eu me fundo com o PSB. Temos a mesma linha ideológica. Merecíamos uma força trabalhista com mais capacidade. Um perfil mais trabalhista de centro-esquerda forte para enfrentar polarização”, declarou, em entrevista.