Política

PSDB gaúcho escolhe neste sábado novo presidente

Eduardo Leite, que deve ser escolhido para comandar a sigla, defende a saída do governo

Eduardo Leite, que deve ser escolhido para comandar a sigla, defende a saída do governo
Eduardo Leite, que deve ser escolhido para comandar a sigla, defende a saída do governo Foto : Paulo Nunes / CP Memória
Na véspera da convenção do PSDB que o escolherá para presidir o partido no Rio Grande do Sul, o ex-prefeito de Pelotas Eduardo Leite deixou claro ontem o papel que pretende desempenhar nas eleições de 2018. No momento em que os partidos começam a articular pré-candidaturas ao Palácio Piratini, e ante tentativas recorrentes do PMDB de evitar que ele dispute o governo gaúcho, Leite disse estar à disposição para concorrer. “Hoje há uma fórmula do fracasso que precisa retroceder. Ainda estamos apoiando o atual governo para colaborar. Mas é legítimo que pensemos um novo projeto. Eu não tenho medo, pelo contrário, estou preparado. E o Estado precisa ter um sonho. Hoje não tem.”

Questionado sobre a vontade do PMDB gaúcho de vê-lo fora da disputa, deixando o caminho mais livre para uma tentativa de reeleição do governador José Ivo Sartori ou outro nome do partido, o tucano reagiu com bom humor. “Antes de qualquer coisa, me querem fora.” Ele admitiu que a pauta fiscal, principal bandeira da gestão do PMDB, é importante, mas ressalvou que o RS precisa de uma gestão mais proativa, com outras pautas, para as quais o governo atual se mostra “muito tímido”. Listou infraestrutura, educação e segurança, assinalou que o governo prometeu um plano de concessões para as rodovias que até hoje não ocorreu, e afirmou não ser possível o Estado esperar retomar a capacidade de investimento para efetivar ações em áreas estratégicas.

Segundo Leite, escolhida a nova executiva, ele convocará o diretório para tratar da possibilidade de o PSDB deixar o governo gaúcho. A favor de que os tucanos abandonem o governo Michel Temer, ele disse que o diretório gaúcho vai debater e definir sua posição. “Podemos ajudar com as pautas importantes para o país, mas sem participar com cargos. Esse é um governo que deve muitas explicações à sociedade. Mais do que isso, há provas que comprometem sua alta cúpula e, inclusive, o presidente.”

"Não tenho qualquer ligação com o MBL"

Em um período marcado por articulações, no qual pré-candidatos ao Executivo costumam “esconder o jogo” sobre preferências e possibilidades de alianças, o futuro presidente do PSDB, Eduardo Leite, informa, sem hesitar, que é muito possível uma aliança com o PP. “Nas últimas duas eleições estaduais estivemos juntos. Na eleição passada, no primeiro turno, apoiamos a candidatura da senadora Ana Amélia. No segundo, acabamos apoiando o Sartori, que eu respeito muito, porque era necessário fazer uma escolha entre duas opções.”

No campo dos movimentos sociais, o tucano afirmou que, diferentemente dos prefeitos João Doria (São Paulo) e Nelson Marchezan Júnior (Porto Alegre), não tem proximidade com o MBL (Movimento Brasil Livre). “Respeito como movimento, é legítimo, como é legítimo que busquem vínculos com candidaturas, mas não tenho qualquer ligação com o MBL e entendo que não deva haver associação dele com o partido”, disse. “Particularmente, discordo de várias pautas deles. O MBL acredita que quem não pensa como ele peca. E isso me incomoda. Não considero que quem pensa diferente de mim é necessariamente do mal. Uma coisa é ser liberal na economia. Outra, na política. O PSDB é muito mais liberal do que o MBL no campo político.”