A direção nacional do PSDB impôs condições ao vice-presidente Michel Temer para aderir em sua totalidade a um eventual governo. A primeira delas é que qualquer conversa com o partido deve ocorrer em "caráter institucional", o que significa dizer que o senador José Serra (SP) não é o único nome entre os tucanos a ser procurado pelo vice. A segunda e mais complexa é que Temer e o PMDB devem se manter distantes das eleições municipais deste ano em cidades que o PSDB considera prioridades eleitorais do partido.
Temer está disposto a conversar sobre esses pontos e, nesta terça mesmo, o senador Aécio Neves (MG), presidente nacional do PSDB, mudou seu discurso e disse que o partido não deverá se opor a eventuais participações de membros em um futuro governo Temer. "Se amanhã o presidente Michel optar, considerar o nome de membros do PSDB, obviamente deverá fazer isso conversando com a direção do partido, que não deverá se opor", afirmou Aécio, após reunião de quase três horas com a bancada do partido na Câmara.
O presidente do PSDB também rechaçou a proposta de que tucanos que assumirem cargos em um futuro governo Michel Temer devem se licenciar do partido. A ideia foi defendida por membros do legenda, como o secretário-geral da sigla, deputado federal Silvio Torres (SP).
Eleições
Os tucanos querem o peso político de um eventual governo Temer e do PMDB fora das eleições em cidades onde os tucanos possuem boas chances neste ano, como Manaus, Fortaleza e São Paulo. Eles também buscam um compromisso em relação a 2018: Temer não disputar a reeleição e não interferir nas eleições estaduais.
Essas propostas já haviam sido apontadas por Serra em entrevista ao Estado em março, mas agora foram encampadas pela direção nacional do PSDB. Essa proposta tucana é o maior entrave para o acordo. O PMDB é um partido com forte tradição municipal e estadual. Toda a sua força na última década foi construída com vitórias em municípios e Estados que acabaram impulsionando a ampliação das bancadas legislativas da sigla.
Divisão
As declarações de Aécio foram feitas logo após o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso defender a participação do PSDB em um futuro governo Temer com a ocupação de cargos ministeriais, a exemplo do que ocorreu quando Itamar Franco assumiu a presidência, após o impeachment de Fernando Collor, em 1992.
A posição de FHC reforçou tese de embarque total dos tucanos e pesou na resolução da bancada divulgada nesta terça. Aécio e o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, pré-candidatos do PSDB à presidência da República em 2018, se diziam contra o PSDB participar efetivamente de eventual governo Temer e ocupar cargos na nova gestão.
Embora tenha dito que a direção do partido não vai se opor, o presidente do PSDB sinalizou que pessoalmente continua contra o partido assumir ministérios e outros cargos na gestão do peemedebista. "Para mim, cargos são secundários", disse, ao ser questionado se sua fala de hoje significava uma mudança de opinião pessoal. Ainda assim, a deputada Mara Gabrilli (PSDB-SP) se reuniu a sós com Temer. Ela é cotada para Secretaria Nacional de Direitos Humanos.
PSDB impões condições, mas negocia adesão total a eventual governo Temer
Partido quer que PMDB fique distante de cidades que tucanos consideram prioridade nas eleições municipais