Se ele sabia ou não do teor dessa ação, o secretário não pode permanecer no cargo”, disse o presidente estadual da sigla e vereador de Porto Alegre, Pedro Ruas. “Ele não cometeu nenhum crime e nem esteve envolvido nas ações de depredação. A criminalização dele é a criminalização do partido”, disse Ruas, acompanhado ainda pela vereadora Fernanda Melchionna.
De acordo com o dirigente do PSol, Roberto Robaina, não foram apresentadas provas contra o jovem e nem dado o acesso ao inquérito. “A depredação não é a nossa pauta. Nossos problemas são contra a condução do governo”, disse. A advogada de Lucas, Luciana Genro, que é ex-deputada e filha do governador Tarso Genro, também criticou a falta de acesso ao teor do inquérito. “Após a informação da ação de busca e apreensão à casa de Lucas na terça-feira), fui à delegacia para ter acesso ao conteúdo do inquérito, assim como as provas. Lá permaneci o dia inteiro e não fui recebida”, afirmou.
Conforme Ruas, a interpretação desse gesto tem ligação política. “Acredito que ela não foi recebida por ser integrante do PSol”, afirmou o vereador, adiantando que recorrerá à OAB/RS para esclarecer o fato. Lucas foi intimido a depor nesta sexta-feira, no Palácio da Polícia. Luciana Genro disse não saber se ela e o cliente vão comparecer.
Ela afirmou ainda que da maneira como ocorreu a ação policial é uma demonstração de tentativa de “criminalização de todo o movimento de rua”. O estudante considerou lamentável a ação de busca e apreensão em seu apartamento. Segundo ele, foram levados panfletos, livros e certificados. “O que ficou pior é que foi em um governo do PT que isso ocorreu. É uma perseguição ideológica”, afirmou o jovem, que alega ter participado pacificamente das manifestações. Lucas antecipou que sábado haverá um encontro do movimento “Juntos” para avaliar os desdobramentos.
A corporação cumpriu mandados de busca e apreensão nessa terça-feira, sob a alegação de formação de quadrilha nos protestos dos últimos meses. Em entrevista coletiva na manhã desta quarta-feira, dirigentes do PSol afirmaram que a ação policial teve caráter nitidamente político, garantindo que não há provas contra seus militantes.
Em função da polêmica gerada, o chefe da Polícia Civil gaúcha, delegado Ranolfo Vieira Júnior, garantiu em entrevista à Rádio Guaíba nesta quarta-feira que a ação não teve caráter político. “A Polícia Civil é de estado, não de governo, ou de agremiações partidárias”, destacou.
As buscas ocorreram também na sede de duas organizações anarquistas na Capital, que seriam responsáveis por articularem algumas das manifestações populares ocorridas desde o início deste ano.
Com informações dos repórteres Mauren Xavier e Gabriel Jacobsen