Política

PT gaúcho admite não contar com Dilma em 2014

Pressão do PMDB deve afastar a presidente do palanque petista

PT gaúcho admite não contar com Dilma em 2014
PT gaúcho admite não contar com Dilma em 2014 Foto : Wilson Dias / ABr / CP
A aproximação do PMDB gaúcho com a presidente Dilma Rousseff começa a causar os primeiros desdobramentos no cenário eleitoral do Estado. Sob a pressão dos novos aliados no RS, que exigem tratamento isonômico com o PT, a presidente Dilma Rousseff terá que de administrar dois palanques ou se ausentar na campanha no Estado. “A condição número um que levamos para Dilma é que, caso as bases do partido decidam pelo apoio, é ela estar em nosso palanque ou em nenhum no Estado”, afirmou o presidente estadual do PMDB, Edson Brum.

A hipótese de não ter Dilma no palanque de Tarso Genro, que deve concorrer à reeleição, foi admitida pelo presidente estadual do PT, Raul Pont. “Acho positivo caso o PMDB venha a defender a presidente Dilma no Estado, o que pode ser um segundo palanque para ela aqui. Mas esse acordo pode forçar que ela não venha ao RS e, caso isso ocorra, os eleitores já sabem quem está mais identificado com o governo Dilma. Não haverá prejuízos ao PT”, declarou. Segundo Pont, a alternativa seria explorar a imagem da presidente nos programas de rádio e televisão e nos materiais de campanha.

O presidente da Fundação Ulysses Guimarães, ligada ao PMDB, Eliseu Padilha, um dos articuladores do encontro realizado na última quarta-feira que reuniu a presidente com prefeitos gaúchos do PMDB, foi mais longe. “Aliança entre partidos é uma estrada de duas mãos. Não queremos privilégios, mas também não aceitamos tratamento diferenciado para menos. Já que compomos com o governo federal queremos participação aqui no Estado. O governo federal tem cargos aqui, e nós temos interesse”, afirmou. Segundo Padilha, a forma como Dilma se manifestou na reunião com os prefeitos entusiasmou os peemedebistas. “Pelo que vi, 99% dos prefeitos presentes na reunião saíram do encontro dispostos a aprovarem o apoio à presidente.”

Padilha revelou que se reuniu com Brum e com o ex-deputado Rospide Neto na sexta-feira. “O que aconteceu esta semana vai ser levado às bases para que seja tomada a decisão (de apoiar Dilma)”, disse. Brum, porém, adiou a definição. “Essa discussão acontecerá depois. Agora estamos construindo um programa de governo para o RS.” Nova comitiva do PMDB deverá ir a Brasília em junho para reunião com o vice-presidente Michel Temer.
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