Teve formato típico de campanha eleitoral o encontro estadual do PT neste domingo em Porto Alegre, que lançou as pré-candidaturas do partido ao governo do RS e ao Senado nas eleições de 2026, e confirmou a ocupação, pelo PSol, do terceiro posto da majoritária. Com a formalização, segue em aberto na chapa apenas o posto de vice.
O evento, que se estendeu desde a manhã até a metade da tarde, oficializou as pré-candidaturas do presidente da Conab, Edegar Pretto, para a disputa ao Palácio Piratini, e do deputado federal Paulo Pimenta para uma das duas vagas ao Senado. E ratificou o nome da ex-deputada Manuela D’Ávila para a outra vaga ao Senado. A ex-deputada vai se filiar ao PSol no dia 9.
Com o lançamento dos nomes, o PT pretende intensificar a pré-campanha da chapa majoritária e as agendas presenciais pelo Estado ainda em 2025. O entendimento dos articuladores partidários é o de que não há tempo a perder, por pelo menos três razões. Porque tanto a eleição para o governo como a do Senado serão extremamente disputadas. Porque o histórico do RS mostra que as corridas ao Senado com duas vagas podem ter resultados surpreendentes. E porque há a certeza, no caso da disputa ao governo, de que, se passar para o segundo turno, o candidato petista enfrentará um oponente que concentrará no seu entorno siglas e apoiadores hoje divididos entre as pré-candidaturas do MDB, do PL e do PP.
No evento, que teve participação das demais legendas que integram a federação partidária da qual o PT faz parte, o PCdoB e o PV, além de convidados da federação PSol/Rede, e representantes do PSB, do PDT e do Avante, Manuela e as principais lideranças do PSol ocuparam lugar de destaque. Mas, ao mesmo tempo em que a coalizão com o PSol foi ratificada, o encontro evidenciou que uma união, no Estado, com o PDT, se torna cada dia menos provável, mesmo que a sigla esteja comprometida, nacionalmente, com a reeleição do presidente Lula.
Os pedetistas, que integram a base do governo Eduardo Leite (PSD), lançaram há poucos dias a pré-candidatura da ex-deputada Juliana Brizola ao Piratini. Nem Juliana, nem o presidente estadual da sigla, Romildo Bolzan Júnior e nem deputados trabalhistas compareceram. O partido foi representado pelo ex-presidente da Famurs e ex-prefeito de Palmeira das Missões, Eduardo Freire.
Pretto acena a setores produtivos e desafia adversários
O pré-candidato do PT ao governo do RS, o presidente da Conab, Edegar Pretto, explicitou neste domingo, durante o encontro estadual do partido que lançou seu nome oficialmente na disputa, parte da estratégia que a sigla pretende adotar na corrida eleitoral de 2026. Em seu discurso, Pretto priorizou o apelo à militância para que se mobilize em todas as regiões do Estado, evidenciou o quanto a campanha regional vai estar vinculada à nacional, acenou aos setores produtivos gaúchos e destacou temas que os petistas pretendem atacar nas duas principais pré-candidaturas adversárias, a do MDB e a do PL. O primeiro será representado pelo vice-governador Gabriel Souza e o segundo pelo deputado federal Luciano Zucco.
“O negacionismo das mudanças climáticas talvez seja a agenda que mais coloca o Eduardo Leite em semelhança com aquele que nós derrotamos, o presidiário. Flexibilizaram completamente a legislação ambiental e têm zero projetos estruturantes para enfrentar as próximas enchentes. O governador faz turismo pelo mundo olhando exemplos de enfrentamento das mudanças climáticas, mas não fala com a Ufrgs”, comparou o presidente da Conab.
Em outro momento, Pretto relacionou as privatizações de estatais com deficiências na prestação de serviços em saúde e educação, fez alusão ao número de mulheres com medidas protetivas vítimas de feminicídio e criticou o modelo de concessão de rodovias. “Depois de 12 anos, venderam tudo o que que o puderam, não cumprem mínimos constitucionais em áreas essenciais, não pagam as parcelas da dívida, e mesmo assim vão entregar um orçamento com déficit de R$ 3,8 bilhões para 2026. Essa gente é boa de marketing, mas é ruim de serviço.”
Em uma disputa que os petistas projetam que será marcada pela polarização, Pretto também não poupou críticas ao bolsonarismo e ao pré-candidato do PL na corrida eleitoral. “O que fez o tal do representante do Bolsonaro para querer ser governador deste estado. Passeou de jet ski? Fez pescaria com o tal do capitão? O falso patriota que andava passando vergonha na frente dos quartéis enrolado na bandeira nacional, na hora que o Brasil mais precisou, passou para o outro lado e se enrolou na bandeira dos Estados Unidos. Eu quero ver dizer isto para a indústria gaúcha e os setores produtivos altamente impactados pelo tarifaço do Trump”, disparou.