Dirigentes e pré-candidatos do PT gaúcho nas eleições gerais deste ano, em especial os que integrarão a chapa majoritária, pretendem que as agendas do presidente Lula na cidade de Rio Grande na terça-feira, 20, funcionem como atos de pré-campanha. A avaliação, entre articuladores do partido no RS, é de que a vinda de Lula em janeiro, primeiro mês do ano eleitoral, reforça dois entendimentos.
O primeiro é o de que, mesmo com a oposição aberta de fatias dos setores produtivos, e da força dos campos políticos de direita e centro-direita, o governo federal valoriza o Estado e segue destinando ao RS investimentos importantes. O segundo é o de que o presidente prestigia as candidaturas regionais da legenda e estará empenhado para que o partido se mostre competitivo nas eleições locais. Não por acaso, o roteiro foi elaborado com foco em dois temas caros aos gaúchos: a reconstrução após as enchentes de 2024 e a tentativa de retomada do polo naval de Rio Grande.
Entre lideranças, os discursos vão todos na linha da agenda positiva. “Os compromissos do presidente aqui evidenciam que ele está à frente de um governo que traz resultados. Politicamente, a vinda do Lula é um evento que, além de animar a base, reforça as pré-candidaturas todas e o compromisso com a nossa majoritária”, elenca o presidente da sigla no RS, o deputado estadual Valdeci Oliveira.
“O presidente vem para fazer a maior entrega do Minha Casa Minha Vida no RS: 1.276 residências. Isto mostra a pujança da retomada do projeto, que é um dos pilares também do trabalho da reconstrução. E vem celebrar a retomada do polo naval, um grande investimento em parceria com a Petrobras. Na prática, as agendas mostram o compromisso com o nosso Estado, depois de tudo o que passamos”, completa o deputado federal Paulo Pimenta.
Valdeci e Pimenta, pré-candidato do partido a uma das vagas ao Senado, vão acompanhar todas as agendas em Rio Grande. Já o presidente da Conab, Edegar Pretto, pré-candidato do PT ao governo do Estado, se recupera de um procedimento cirúrgico e não estará presente. Para evitar especulações sobre a ausência, Pretto informará Lula diretamente nesta manhã de segunda sobre o impedimento médico. Na tarde de domingo, ele divulgou um comunicado público sobre a impossibilidade de se deslocar até a cidade.
Agenda tem entrega de moradias e contrato para Polo Naval
São duas as agendas públicas do presidente Lula em Rio Grande nesta terça-feira, 20. Pela manhã, ele estará na cerimônia de entrega de 1.276 habitações do programa governamental Minha Casa Minha Vida, no Parque Residencial São Pedro II. O empreendimento teve construções iniciadas há uma década, e foi marcado por uma série de entraves. Agora, a entrega acabou abarcando ações de reconstrução pós-enchentes de 2024, com atendimento a famílias que perderam suas casas. O PT, que terá o ex-ministro da Reconstrução como candidato ao Senado, já definiu que nas eleições deste ano os bilhões que o governo federal destinou ao RS para fazer frente às consequências do evento climático estarão entre os temas centrais da campanha.
À tarde, Lula vai participar da cerimônia de assinatura de contrato entre a Transpetro e o Estaleiro Rio Grande, operado pela Ecovix, para a construção de cinco novos navios gaseiros (especializados no transporte de gases liquefeitos). A Ecovix foi a vencedora de licitação para a construção no ano passado, com uma proposta de 270 milhões de dólares. É o segundo contrato nos últimos 11 meses. O primeiro foi fechado no início de 2025, para a construção de quatro navios da classe Handy, também com a presença de Lula.
Há a expectativa ainda de que possa ocorrer, durante a visita, a assinatura da ordem de início da elaboração do projeto da ponte entre Rio Grande e São José do Norte.
Os investimentos no polo naval e na região Sul do Estado são outro tema que receberá destaque na campanha petista deste ano, tanto da majoritária federal como da estadual. O polo naval viveu seu apogeu durante os governos petistas no país, entre 2010 e 2014, gerando forte crescimento econômico na região. A partir de 2014, contudo, uma combinação de fatores provocou sua derrocada. Eles incluíram, internamente, desdobramentos da operação Lava Jato, paralisação de encomendas da Petrobras e interrupção de grandes projetos. E, internacionalmente, a queda do preço do petróleo e a crise global do setor naval.
Politicamente, os anos de pujança seguiram garantindo um eleitorado fiel ao PT na região. No segundo turno de 2022, Bolsonaro obteve uma vantagem de 841 mil votos sobre Lula na eleição presidencial no RS. Mas, na cidade de Rio Grande, o petista ficou à frente, abrindo diferença de 42 mil votos. No mesmo ano, na disputa para o governo, Edegar Pretto não passou para o segundo turno. Mas, em Rio Grande fez, no primeiro turno, 16 mil votos a mais do que o governador Eduardo Leite. A preferência se repetiu em 2024. Mesmo trocando o candidato a prefeito quando faltava um mês para o pleito, o partido venceu a corrida, elegendo Darlene Torrada para comandar a administração municipal.