O espólio de quase 1,5 milhão de votos deixados por candidatos gaúchos que, em 2010, disputaram uma vaga na Câmara dos Deputados, mas que agora, por diferentes motivos, estão fora da corrida ao Congresso, está gerando tensão entre aqueles que tentam permanecer ou chegar à Câmara. A competição é tanta que começaram a circular “listas” informais daqueles com maior ou menor chance de vitória, além da divulgação extraoficial de nomes dos que não deverão conseguir “segurar” sua cadeira.
Em meio às especulações, o Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), divulgou a projeção, por Estado, da composição da Câmara dos Deputados para a próxima legislatura. Mesmo que composta apenas por números e nomes, sem avaliações, a estimativa do Diap traduz o receio que atinge praticamente todos os candidatos. Ela indica, por exemplo, que entre os dez partidos que hoje têm representação na bancada gaúcha, apenas três (PT, PP e PSDB) poderão aumentar seu número de deputados. O PMDB tende a se manter estável. E, entre os demais, há risco de encolhimento. Parte das cadeiras pode ser tomada por siglas hoje sem representação do RS, como PRB, PSL e PSC.
Entre os partidos que podem perder deputados estão PSB, PDT, PCdoB e PTB. O caso do PCdoB e do PSB é semelhante. Na eleição de 2010, aliadas na chapa proporcional, as siglas tiveram os dois deputados federais mais votados do Estado: Manuela D’Ávila (PCdoB), com quase meio milhão de votos, e Beto Albuquerque (PSB), com pouco mais de 200 mil votos. A excelente votação da dupla “puxou” companheiros de partido: Assis Melo, do PCdoB, chegou à Câmara com 47,1 mil votos; José Stédile, do PSB, com 41,4 mil; e Alexandre Roso, do PSB, com 28,2 mil. Para se ter uma ideia do peso eleitoral de Manuela, em 2010, o último candidato a conseguir ingressar na Assembleia Legislativa, o deputado Cassiá Carpes, fez quase 31 mil votos.