Política

Quem é Silvinei Vasques, ex-diretor da PRF, preso ao tentar fugir do país

Ele foi condenado por integrar a trama golpista e por improbidade administrativa por usar a estrutura da PRF para fins eleitorais em 2022

Silvinei Vasques, foi preso no Aeroporto Internacional Silvio Pettirossi, em Assunção, no Paraguai, enquanto tentava embarcar em um voo com destino a El Salvador
Silvinei Vasques, foi preso no Aeroporto Internacional Silvio Pettirossi, em Assunção, no Paraguai, enquanto tentava embarcar em um voo com destino a El Salvador Foto : Marcelo Camargo/Agência Brasil

O ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal (PRF), Silvinei Vasques, foi preso nesta sexta-feira, 26, no Aeroporto Internacional Silvio Pettirossi, em Assunção, no Paraguai, enquanto tentava embarcar em um voo com destino a El Salvador, após romper a tornozeleira eletrônica que utilizava por determinação judicial.

O ex-diretor aguardava em liberdade durante a fase de recursos das condenações impostas pela Justiça. Segundo a Polícia Federal (PF), Vasques deixou o Brasil e cruzou a fronteira em direção ao país vizinho. Após a violação do equipamento de monitoramento, um alerta foi emitido às autoridades brasileiras, o que levou à sua localização e prisão no exterior.

Ele foi condenado por integrar a trama golpista e por improbidade administrativa por usar a estrutura da PRF para fins eleitorais em 2022.

Trajetória na PRF

Paranaense, nascido em 1975, Silvinei Vasques ingressou na PRF em 1995, aos 20 anos. Ao longo da carreira, ocupou diversos cargos de comando, como:

- Superintendente da PRF em Santa Catarina e no Rio de Janeiro;

- Coordenador-geral de operações da corporação;

- Secretário municipal de Segurança e Defesa Social de São José (SC).

Em abril de 2021, foi nomeado diretor-geral da PRF pelo então presidente Jair Bolsonaro, permanecendo no cargo até dezembro de 2022. Durante a gestão, tornou público o apoio político ao ex-presidente por meio de redes sociais.

Após a derrota de Bolsonaro, Vasques foi exonerado do cargo e, nos dias seguintes, se aposentou da PRF.

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Condenações

Em agosto deste ano, Silvinei Vasques foi condenado por improbidade administrativa por utilizar a estrutura da PRF para fins eleitorais durante o segundo turno das eleições presidenciais de 2022.

A decisão foi proferida pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF2), no Rio de Janeiro, que concluiu que o então diretor-geral da corporação atuou de forma indevida para favorecer a candidatura à reeleição do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Como penalidade, Vasques foi condenado ao pagamento de multa de aproximadamente R$ 546,6 mil, valor equivalente a 24 salários recebidos à época, além de ficar proibido de contratar com o poder público por quatro anos.

Trama golpista

Neste mês, o Supremo Tribunal Federal (STF) condenou Silvinei Vasques a 24 anos e seis meses de prisão, em regime fechado, por participação na trama golpista, que atuou para tentar reverter o resultado das eleições presidenciais de 2022 e manter Jair Bolsonaro no poder após a derrota nas urnas.

Para a Segunda Turma do STF, Vasques integrou o chamado “núcleo 2” da trama golpista, responsável por ações operacionais, incluindo o uso da estrutura estatal para interferir no processo eleitoral, especialmente com medidas que dificultaram o deslocamento de eleitores.

Prisão preventiva e medidas cautelares

Silvinei Vasques chegou a ser preso preventivamente em 2023, no avanço das investigações sobre os atos antidemocráticos e a atuação da PRF no período eleitoral. Ele deixou a prisão em agosto daquele ano, mediante o cumprimento de medidas cautelares, entre elas o uso de tornozeleira eletrônica, antes de se tornar réu e, posteriormente, ser condenado.