Política

Reajuste dos aposentados só entrará nas contas em agosto

Ministério da Fazenda antecipou corte de mais R$ 1,6 bilhão no orçamento após medida

O ministro da Previdência Social, Carlos Eduardo Gabas, informou nesta terça-feira que o reajuste de 7,72%, sancionado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para os aposentados que ganham mais de um salário mínimo, só vai ser processado na folha de benefícios de julho, a ser paga nos primeiros cinco dias de agosto. O ministro disse que o retroativo a janeiro também pode ser pago na mesma folha, desde que haja dinheiro. O reajuste vale só para os beneficiários que recebem acima do mínimo.

No início da tarde, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, antecipou que o governo vai cortar as emendas de parlamentares e outras despesas de custeio para bancar o custo adicional do aumento. Ele também rejeitou a análise de que a sanção do aumento seja uma derrota da equipe econômica. O ministro insistiu que o importante é preservar a meta de superávit primário em 3,3% do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano.

"A meta fiscal está garantida", afirmou. Mantega confirmou um corte adicional no orçamento de R$ 1,6 bilhão. Segundo ele, "o mal maior", que era o fim do fator previdenciário, foi vetado por Lula. De outro lado, o governo avaliou que é possível compensar o aumento de despesa com o corte em outros gastos, como emendas parlamentares, preservando a responsabilidade fiscal. Aliados e oposição elogiaram o reajuste.

Vitória política

A Federação dos Trabalhadores Aposentados e Pensionistas do Rio Grande do Sul (Fetapergs) comemorou a decisão do presidente Lula. Segundo o presidente da entidade, Osvaldo Fauerhamel, “o aumento em si não repercute tanto quanto a vitória que nós tivemos pelo trabalho de todas centrais sindicais. É motivo de muito orgulho e satisfação ver nossas lutas atendidas".

De acordo com o secretário da Federação, Léo Altmayer, a campanha articulada entre as entidades conseguiu elevar o percentual de aumento de 50% do PIB para 80%. A Fetapergs ainda agradeceu os milhares de e-mails enviados à Câmara dos Deputados, ao Senado Federal e ao gabinete da Presidência da República defendendo o reajuste.

Sobre o veto ao fim do fator previdenciário, o presidente da Fetapergs disse que "agora cabe às centrais sindicais e aos sindicatos a luta para que seja extinto o fator previdenciário e que se crie uma nova modalidade de aposentadoria menos onerosa".