A presidente Dilma Rousseff afirmou nesta quarta-feira, que o rebaixamento da nota de crédito da Petrobras é "uma falta de conhecimento" do que está acontecendo na empresa, mas disse que a estatal tem "grande capacidade de se recuperar sem grandes consequências".
Dilma disse ainda que o governo sempre tenta evitar este tipo de rebaixamento, mas lamentou que não tenha ocorrido "correspondência" por parte agência. Questionada, a presidente disse não acreditar que o downgrade sofrido pela Petrobras afete a nota de risco do País.
Na noite dessa terça-feira a agência de classificação de risco Moody’s rebaixou o rating de crédito corporativo da Petrobras em dois graus, de Baa3 para Ba2, além de cortar todas as outras notas da empresa. Segundo a agência, a queda reflete uma maior preocupação com as investigações de corrupção que vêm sendo feitas dentro da Operação Lava Jato, da Polícia Federal, assim como pressões de liquidez que podem acontecer em razão do atraso na entrega do balanço auditado, que ainda não tem prazo determinado. A agência ainda acredita que a Petrobras terá dificuldade em reduzir significativamente sua elevada dívida nos próximos anos.
Isso significa que a agência já não considera a estatal uma boa pagadora de seus débitos, o que complica ainda mais a situação da companhia, que é a petroleira mais endividada do mundo. Sem o grau de investimento, o acesso a novos financiamentos fica mais difícil e a empresa pode ter de pagar juros maiores que os que conseguia até agora.
Embora a estatal deva gerar mais caixa este ano do que em 2014, a Moody’s acredita que isso não deve ser suficiente para cobrir todas as suas despesas, resultando em mais um ano de geração de caixa negativo. "Caso a empresa consiga resolver seus problemas de liquidez no curto prazo, os ratings podem ser elevados", diz a Moody’s. Ainda assim, provavelmente a empresa não voltaria ao grau de investimento, "porque deve continuar a enfrentar tensões relacionadas às investigações de corrupção e seu alto nível de endividamento".
Rebaixamento da Petrobras é falta de conhecimento, diz Dilma
Agência de classificação de risco Moody’ baixou a nota da estatal em dois graus