O enfraquecimento das manifestações na comparação com os atos de 15 de março, para o cientista político Rodrigo Giacomet, pode estar ligado ao fato de as pessoas já terem “dado o recado em março”, e não possuírem o perfil de voltar às mobilizações a cada domingo. “O fato de ter menos pessoas nas ruas não quer dizer que elas voltaram a aprovar o governo. As pessoas vão continuar avaliando os governantes mesmo sem ter que estar nos protestos. Nas pesquisas de opinião, elas mostram baixos patamares de aprovação”, avalia. As últimas pesquisas revelaram que a taxa de aprovação do governo Dilma Rousseff é de 13%, de acordo com Datafolha, o menor índice desde o início do seu primeiro mandato.
Para o cientista político, os protestos foram fomentados pelo fato de o governo federal ter “vendido uma ideia durante as eleições” que se desfez tão logo iniciou o segundo mandato. “O governo conseguiu ter o maior eleitorado, mas não teve formadores de opinião e quando o cenário, em 2015, começou a aparecer muito diferente do preconizado, se uniram aqueles que não votaram na presidente Dilma e os descontentes com a instabilidade econômica, com a menor capacidade de consumo, com a insegurança dos empregos”, diz Giacomet.
Já o filósofo Sérgio Augusto Sardi acredita que a diminuição do número de manifestantes demonstra que as pessoas começaram a compreender que o impeachment não é o cerne para a solução dos problemas no Brasil. “As pessoas pararam para refletir e buscar informação sobre o impacto de um impeachment. Elas entenderam que, neste momento, é necessário um processo de construção de ética, de uma lei justa, de transparência e que o impeachment não é uma solução mágica”, diz.
Sardi acrescenta que a divergência de informações pelos diferentes órgãos, em relação ao primeiro protesto, gerou uma descredibilidade. “Num primeiro momento, elas foram para as manifestações movidas pela emoção, mas começaram a ver que os protestos não são de interesses autônomos da população”, diz. A manifestação de 15 de março, em Porto Alegre, contou com cerca de 100 mil pessoas. Hoje à tarde, em torno de 35 mil, de acordo com a Brigada Militar.
Recado foi dado em março, diz cientista político sobre protestos menores
Filósofo acredita que manifestantes compreenderam que impeachment não é a solução