Até o final de novembro de 2025, o governo do Rio Grande do Sul empenhou R$ 3,3 bilhões na reconstrução do Estado através do Fundo do Plano Rio (Funrigs). O dado foi apresentado durante apresentação do detalhamento do plano de investimentos do Funrigs, que, no total, deve destinar R$ 14,5 bilhões até o final de 2027 em ações de emergência, diagnóstico, preparação, recuperação e resiliência climática após as devastadoras enchentes de maio de 2024.
A cifra desembolsada até o momento representa quase 25% do total calculado. Os valores decorrem do não pagamento da dívida histórica do Estado com a União, que já ultrapassa os RS 100 bilhões. Até o momento, a suspensão dos repasses mensais gerou depósitos de R$ 5,7 bilhões. Ou seja, os cofres do Funrigs têm atualmente saldo positivo de R$ 2,4 bilhões.
O governador Eduardo Leite (PSD) detalhou, em evento no Palácio Piratini, o plano de investimento do total dos recursos previstos até 2027. A aplicação será escalonada. Dos R$ 14,5 bilhões projetados, R$ 1,4 bilhão foram aplicados já no ano da enchente, em 2024. Até o final deste ano, o desembolso deve ser de R$ 3,2 bilhões.
O investimento mais robusto ocorrerá ao longo de 2026. Serão R$ 2,3 bilhões no primeiro quadrimestre, R$ 2 bilhões no segundo quadrimestre e R$ 2,9 bilhões no terceiro. O ano da eleição contará com aportes totais de R$ 7,2 bilhões – metade do montante total previsto no fundo.
Por fim, R$ 2,2 bilhões serão investidos no primeiro quadrimestre de 2027 e R$ 0,6 bilhão no segundo.
A recuperação dos aparelhos públicos deve concentrar a maior parte dos recursos. Obras de infraestrutura devem corresponder a 76% do total dos investimentos. A preparação e capacidade de resposta à calamidade, envolvendo fortalecimento da Defesa Civil e instalação de um 'aeroporto de backup', somaram 9,65% do montante. Projetos de resiliência, prevenção e mitigação de desastres receberão R$ 7,8%. Ações de emergência para o restabelecimento da normalidade ainda em 2024, em resposta à crise, corresponde a 4,6%. Ainda, 1% destinado ao diagnóstico e 1,25% a governança e integração entre eixos.
“Estamos observando uma maior recorrência de eventos extremos, sejam eles granizo, temporais ou chuvas intensas. Tem muitas medidas estruturais que podem e devem ser feitas para proteger cidades e população, mas nem tudo será atendido com medidas estruturais. Às vezes, não é viável. Aí entra em campo, como em qualquer lugar do mundo, medidas de adaptação climática. Temos que ter estrutura de monitoramento robusta para entender o que está vindo de evento climático e alertar as pessoas, planos diretores municipais, associadas às medidas estruturais, com obras de proteção contra cheias”, afirmou Leite no evento.
Plano de investimentos do Funrigs
Recuperação e obras de infraestrutura – R$ 11,046 bilhões (76%)
- PPPs: R$ 3 bilhões
- Reequilíbrios: R$ 800 milhões
- Rodovias: R$ 3,094 bilhões
- Rios e canais: R$ 1,031 bilhão
- Habitações: R$ 1,030 bilhão
- Setor primário: R$ 684 milhões
- Políticas sociais: R$ 584 milhões
- Economia: R$ 523,4 milhões
- Patrimônio público: R$ 300,6 milhões
- Hospitais resilientes: R$ 8,7 milhões
Preparação (Capacidade de resposta instalada) – 1,403 bilhão (9,65%)
- Defesa Civil: R$ 343,3 milhões
- SSP: R$ 996,8 milhões
- Ginásios multiuso: R$ 55 milhões
- Aeroporto de backup: R$ 8,5 milhões
Resiliência (Prevenção e mitigação) – R$ 1,153 bilhão (7,8%)
- Apoio aos municípios: R$ 441,8 milhões
- Editais P&D: R$ 120,9 milhões
- Segurança em barragens: R$ 5,2 milhões
- Atualização de anteprojetos: R$ 9 milhões
- Fundo a Fundo: R$ 560,3 milhões
Emergência (Ações de restabelecimento) – R$ 677,7 milhões (4,65%)
- Rodovias: R$ 206 milhões
- Políticas sociais: R$ 176 milhões
- Horas-máquina: R$ 93 milhões
- Habitações: R$ 85 milhões
- Hospitais e escolas: R$ 36 milhões
- Turismo: R$ 29 milhões
- Aluguel social e alojamentos: R$ 17 milhões
- Manejo cães e gatos: R$ 2,5 milhões
Governança (Integração entre eixos) – R$ 182,1 milhões (1,25%)
- CEGIRD: R$ 70,4 milhões
- CELOG: R$ 38,7 milhões
- CRIEC: R$ 34 milhões
- RioS: R$ 30 milhões
- CIC: R$ 5 milhões
- Plataforma de dados: R$ 4 milhões
Diagnóstico (Identificação de fatores de riscos) – R$ 88,6 milhões (1%)
- Batimetria: R$ 45,9 milhões
- Topografia: R$ 42,7 milhões