O escolhido para ocupar o Palácio Piratini no próximo ano terá que convencer o eleitorado gaúcho de que suas propostas para a reconstrução do Estado e a melhora nos índices de saúde são, para além do discurso, soluções factíveis. Isso é o que indica a pesquisa elaborada pelo Instituto de Pesquisas de Opinião (IPO), apresentada pela diretora do grupo, a cientista política Elis Radmann, durante a reunião-almoço promovida pela Câmara Brasil-Alemanha no RS nesta quinta-feira. “Quando o entrevistador chega com essa palavra (reconstrução), ele (eleitor) diz o seguinte: ‘nós não estamos conseguindo fazer essa reconstrução. Estamos fazendo só as coisas mais emergenciais em termos de pontes, rodovias ou proteções para as coisas funcionarem’.”
Por isso, segundo Elis, conquistará o eleitorado o candidato que, entre outros pontos, mostrar as melhores propostas para a prevenção contra novos eventos climáticos extremos. “O eleitor está muito preocupado. Nós estamos no mês de maio, e há indicadores climáticos que dizem que a gente pode ter precipitações altas, especialmente no mês de setembro. Vejam, o mês de setembro é um mês pré-eleitoral efetivamente, perto da urna”, afirmou.
Em relação à saúde, o sentimento de insegurança e descrença é o mesmo – e as melhoras não são sentidas na ponta, principalmente em procedimentos de média e alta complexidade, cujo tempo de espera para exames e cirurgias teria diminuído, segundo o governo do Estado.
Polarização em âmbito nacional
Os dados da pesquisa indicam ainda que, assim como os eleitores em âmbito nacional tentam escapar da polarização, no Rio Grande do Sul o cenário é parecido. A diferença, porém, é que na disputa pelo Palácio Piratini, o cenário pode mudar um pouco no decorrer da campanha. Segundo Elis, os três principais nomes na disputa – Gabriel Souza (MDB), Juliana Brizola (PDT) e Luciano Zucco (PL) – devem atingir aproximadamente 20% de intenções de voto cada nos próximos meses. “Não ter um malvado favorito de preferência, esse é o desejo. O sonho de consumo. E isso se dá tanto no Brasil quanto no Rio Grande do Sul, são os mesmos indicadores”, afirmou.
Caso Master
Nacionalmente, porém, ela explica que, apesar desse desejo, o eleitor não vê saída para essa polarização. Tanto que Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT) seguem melhor posicionados nas pesquisas de opinião. Em compensação, a pesquisa do IPO indica que alguns eventos podem mudar os rumos do pleito. E o principal é a compreensão do eleitorado sobre um dos maiores escândalos de corrupção: o Banco Master. “O eleitor não tem clareza de que o Banco Master tem a ver com corrupção porque, afinal de contas, é uma instituição privada que prejudicou os seus clientes. Então isso não é claro para o eleitor. Conforme avançar a campanha, conforme houver as delações premiadas, conforme vários nomes forem apresentados, mas principalmente quando os embates entre políticos mostrarem que isso se trata de corrupção, aí sim o eleitor vai fazer um novo posicionamento”, acredita Elis.
A economia também deve pesar na escolha do candidato, principalmente no cenário nacional. Isso porque o eleitor está cada vez mais endividado e vê o custo de vida subir e o poder de compra diminuir. “Esta eleição será a mais tensa e intensa da história. Primeiro, porque o eleitor está extremamente descrente, indignado, cético e frustrado”, resumiu a cientista política.