Política

Reitor da Ufrgs pede que vereadores de Porto Alegre reconsiderem moção de repúdio

Parlamentares criticaram uso do Salão de Atos para evento contra o impeachment de Dilma

O presidente da Câmara de Porto Alegre, vereador Cassio Trogildo (PTB), recebeu na terça-feira, o reitor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), Carlos Alexandre Netto, acompanhado da pró-reitora de Extensão, Sandra de Deus. Em reunião, o gestor pediu que os vereadores reconsiderem uma moção de repúdio ao comportamento dele, do vice, Rui Oppermann, e do professor Domingos Savio Dresch da Silveira, da Faculdade de Direito. Os vereadores entenderam que houve “parcialidade” e “ofensa ao Regimento Interno da Ufrgs no trato de questões político-partidárias” pelo fato de dependências da universidade terem sido cedidas a um ato “em defesa da democracia e da legalidade”, em 30 de março.

O vereador Valter Nagelstein (PMDB), que propôs a moção, justifica que o ato violou os direitos humanos, além de configurar “lavagem cerebral”. Ele entende que Netto, Oppermann e Dresch erraram em permitir o uso de um espaço público para quem fazia “apologia contra as instituições democráticas, a Constituição Federal, o Poder Judiciário e a Câmara dos Deputados”, em um ato contrário ao pedido de impeachment enfrentado pela presidente Dilma Rousseff.

Na terça-feira, Trogildo convidou os demais 35 vereadores para a reunião com o reitor. Dezesseis, de nove bancadas, compareceram. Netto foi o primeiro a se manifestar. Ele garante que, em nenhum momento, houve ferimento ao estatuto. De acordo com o reitor, o ato não era político-partidário e foi organizado por sindicatos e movimentos sociais, a partir da cedência do Salão de Atos. Netto também ponderou que Oppermann representou a Ufrgs para ler um documento subscrito pelos integrantes do Conselho Universitário, instância máxima da instituição.

Dez vereadores se manifestaram. Trogildo lembrou que não votou na sessão que aprovou a moção (foram 14 votos favoráveis e 13 contrários), já que só pode fazer isso em caso de empate, mas chegou a pedir a Nagelstein o adiamento da votação. Já o vereador Airto Ferronato (PSB) pediu que a Câmara reconsidere a decisão, o que pode resultar na suspensão do ato. A data da votação ainda precisa ser definida pelo colégio de líderes da Casa.