Política

Relatora cobra de Aécio explicação sobre contas

Números da campanha do tucano em 2014 indicam 15 irregularidades

Aécio questiona campanha de Dilma
Aécio questiona campanha de Dilma Foto : Marcelo Camargo / Agência Brasil / Divulgação / CP
A ministra Maria Thereza de Assis Moura, relatora do processo que examina a prestação de contas da campanha do senador Aécio Neves (PSDB-MG) à Presidência da República no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), solicitou ao tucano informações sobre 15 irregularidades detectadas nos documentos entregues à Corte. Entre elas estão doações feitas pelas empreiteiras Odebrecht e Construbase que somam R$ 3,75 milhões. A assessoria de imprensa do PSDB afirma que todos os questionamentos foram respondidos e as doações, contabilizadas. Segundo os tucanos, as irregularidades apontadas pelo TSE são falhas contábeis.

Nessa terça-feira, a maioria dos ministros do TSE votou a favor do prosseguimento de uma ação de investigação, proposta pela Coligação Muda Brasil, que teve Aécio como candidato à Presidência da República em 2014, contra a Coligação Com a Força do Povo, da então candidata Dilma Rousseff. O julgamento ainda não terminou.

Segundo a assessoria técnica do tribunal, Aécio repassou ao PSDB uma doação de R$ 2 milhões da Odebrecht, mas não fez o registro na prestação de contas. A empresa, investigada na Operação Lava Jato, doou R$ 8 milhões à campanha do tucano e R$ 16,7 milhões a Dilma. O TSE aponta ainda uma diferença entre o valor declarado pela campanha e o montante efetivamente doado pela construtora Construbase. O candidato tucano recebeu R$ 1,75 milhão e declarou R$ 500 mil. Além disso, deixou de declarar R$ 3,9 milhões em doações estimáveis (serviços prestados), que só foram contabilizadas na prestação de contas retificadora.

Das irregularidades detectadas, ao menos três foram consideradas infrações graves. Elas dizem respeito a doações recebidas antes das prestações de contas parciais, só registradas nas prestações finais, somando mais de R$ 6 milhões. Tanto no caso dos R$ 3,9 milhões quanto no das três infrações graves, o TCE quer saber por que a campanha de Aécio não contabilizou a entrada das receitas nos prazos previstos pela lei eleitoral.