Política

Repasses para alimentação de Dilma e equipe só devem ser liberados nesta segunda

Suspensão foi definida pela equipe de Temer em maio

Expectativa é de que a situação se normalize durante a segunda-feira
Expectativa é de que a situação se normalize durante a segunda-feira Foto : Evaristo Sa / AFP / CP
A assessoria da presidente afastada Dilma Rousseff (PT) revelou neste domingo que não se confirmou a expectativa feita ontem pela Secretaria de Governo do presidente interino Michel Temer (PMDB) de regularizar, ainda no fim de semana, os repasses para o cartão de suprimento que financia a alimentação dela e da equipe que trabalha no Palácio da Alvorada. Desde 1º de maio, e até o momento, nenhuma quantia para despesas alimentares foi depositada.

A expectativa, agora, é de que a situação se normalize durante a segunda-feira. Dilma, assessores e seguranças estiveram, até esse sábado, em Porto Alegre, quando a equipe retornou com a presidente afastada a Brasília. Durante a passagem pela Capital, todos os custos desse tipo foram mantidos com recursos pessoais da presidente.

A suspensão no repasse foi definida pela equipe do presidente em exercício. A justificativa do Palácio da Alvorada é de que as verbas foram bloqueadas para “análise jurídica”.

A Casa Civil do governo interino também já havia proibido Dilma de usar a aeronave da Força Aérea Brasileira (FAB), a não ser para o deslocamento entre Brasília e Porto Alegre, onde ela mantém familiares e um apartamento. Ontem, em uma postagem no Facebook, a presidente afastada assegurou que vai continuar viajando; “Estamos diante de uma situação que vai ter de ser resolvida”, pregou, citando a Constituição Federal. A petista sustenta não ter como viajar em voos comerciais, sem a devida segurança que o cargo exige.

No Rio Grande do Sul, o presidente estadual do PT, Ary Vanazzi, também denunciou como inconstitucionais as duas práticas adotadas pelo governo de Temer. “Está na Constituição que, durante o processo de impeachment, o presidente afastado tem direito a transporte e também a alimentação. São ações inconstitucionais, que desrespeitam a legislação brasileira e só mostram que, de fato, está ocorrendo um golpe neste País”, alertou.

Para Vanazzi, as medidas são um meio de o governo Temer criar obstáculos para dificultar a aproximação da presidente afastada da população. “O que querem é barrar o diálogo com a presidente junto à sociedade e a difusão de que, verdadeiramente, é um golpe que está acontecendo no Brasil. Cortar o avião e até comida são sinais claros de que a intenção é limitar os movimentos da presidente na busca desse diálogo aberto com toda a nação. Eles não vão conseguir e a presidente estará junto ao povo”, concluiu.

A Secretaria-Geral de governo mantém a posição de que os recursos de alimentação vão voltar a ser depositados, mas reitera que a proibição de uso do avião da FAB para trajetos fora do eixo definido é irreversível. O Planalto sustenta que não há compromissos oficiais a serem cumpridos pela petista, já que ela foi afastada do cargo.