O procedimento dos integrantes da Mesa Diretora do Senado - sendo cinco deles da base aliada do governo e apenas dois da oposição - mostra o interesse em poupar Pimentel de indagações sobre suas atividades como consultor. Se o requerimento tivesse sido avalizado pela Mesa Diretora, o prazo de 30 dias para ele responder às 12 perguntas do líder tucano começaria a contar amanhã, data em que o documento seria protocolado no Ministério.
Em vez disso, o requerimento nem mesmo recebeu um relator para fazer o encaminhamento. No entender do líder do PSDB, isso mostra que os governistas querem protelar ao máximo possível o envio das perguntas, na expectativa de que as suspeitas sobre as atividades de Fernando Pimentel como consultor, cargo no qual faturou R$ 2 milhões nos anos de 2009 e 2010, diminuam. "Eles não têm interesse no envio do requerimento", lamentou Dias. "Querem protelar todas as providências, na expectativa de o assunto sair da ordem do dia".
Álvaro Dias apresentou esse requerimento na quinta-feira passada, dois dias depois de os senadores da base aliada do governo rejeitarem na Comissão de Meio Ambiente, Fiscalização e Controle (CMA) o convite para Pimentel participar de uma audiência pública para falar de suas atividades como sócio da P-21. Os destinatários dos requerimentos de informação do Senado e da Câmara têm 30 dias para respondê-los, como prevê o parágrafo 2º do artigo 50 da Constituição. O dispositivo estabelece, ainda, que a recusa em responder aos pedidos escritos de informação ou a prestação de informações falsas serão tratados como crimes de responsabilidade.