Política

Reunião com base aliada para tratar do Banrisul tem baixa adesão

Venda de ações gerou uma série de movimentos na AL e bancadas tendem a se posicionar formalmente

Governo do Estado tentou reunir a base aliada no final da manhã desta quinta-feira no Piratini
Governo do Estado tentou reunir a base aliada no final da manhã desta quinta-feira no Piratini Foto : Leandro Osório / Especial Palácio Piratini / CP Memória
Depois de anunciar a venda de 48,57% das ações ordinárias do Banrisul e dos 14,2% de ações preferenciais do banco que ainda possui, o governo do Estado tentou reunir a base aliada no final da manhã desta quinta-feira no Piratini para esclarecer dúvidas e informar sobre o cronograma da operação, em um encontro com os secretários da Casa Civil, Fábio Branco, da Fazenda, Giovani Feltes, e o presidente do Banrisul, Luiz Gonzaga Veras Mottas. Mas a reunião teve baixa adesão. Compareceram cinco deputados (um do PMDB, um do PP, um do PSB, um do PV e uma do PPS). A maioria dos parlamentares optou por enviar representantes, como chefes de gabinete e assessores.

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Apesar de a decisão sobre a venda ser prerrogativa do Executivo, o anúncio gerou uma série de movimentos na Assembleia, e as bancadas tendem a se posicionar formalmente sobre a operação. É o caso do aliado PSDB. A bancada se reúne na terça e tira uma posição. O vice-líder da bancada, deputado Pedro Pereira, adianta, contudo, que vai solicitar detalhes de como o governo pretende aplicar o montante resultante da venda. “É claro que vai acabar logo o dinheiro, e não pode só ir para a folha de pagamento. O Sartori não é corrupto e nem ladrão, mas faltou a esse governo coragem para tomar medidas duras, como o fim do Tribunal Militar, a venda de imóveis e o plebiscito para decidir a venda de estatais no primeiro ano de governo. Agora não passa mais nada”, destaca.

No PMDB, de público, os parlamentares repetem a argumentação do Executivo, de que o governo continua no controle do banco. Também asseguram não temer cobranças do eleitorado, mas admitem que a venda não resolve os problemas financeiros. “O Estado continua como acionista majoritário e a venda é para dar um fôlego, tocar o dia a dia. O problema do desequilíbrio financeiro é outro debate”, diz o líder da bancada, Vilmar Zanchin. “A venda é só de 49%, então não privatiza e nem federaliza. É uma pena, porque o banco é lucrativo e isso não resolve o problema. Mas o governo está no desespero, e a operação ameniza”, emenda o deputado Gilberto Capoani.

Internamente, os peemedebistas aguardam pelos próximos meses para ‘tirar um temperatura’ em meio ao eleitorado. Se a operação for aprovada pela população, seguirão endossando o discurso do Piratini junto às bases eleitorais. Caso contrário, vão destacar que a decisão cabia exclusivamente ao Executivo e a base parlamentar não teve participação nela.

Quanto ao debate sobre como o Estado vai aplicar os recursos, já está no horizonte de bancadas independentes e de oposição. O vice-líder do PDT na Assembleia, deputado Enio Bacci, pretende dar início a um movimento para mobilizar a população contra a venda das ações. “Não é um movimento de oposição. É que acreditamos ser grande a possibilidade de que este seja o primeiro passo para a venda de 100% do banco. Eu acreditava na palavra do governador, que sempre disse que não mexeria no Banrisul”, afirma. Segundo o parlamentar, é preciso haver fiscalização sobre se as ações serão vendidas “a preço justo” e o governo deve detalhar como vai investir os recursos provenientes da operação.

Na oposição, o deputado Pedro Ruas (Psol), protocolou pedido de audiência pública no Legislativo para tratar da venda das ações. “O Legislativo não existe só para votar. Também precisa fiscalizar e denunciar quando necessário.” E a líder da bancada do PT, deputada Stela Farias, diz que a operação no Banrisul está atrelada às negociações do Piratini para que o Estado faça a adesão ao Regime de Recuperação Fiscal (RRF).