Política

Rio Grande do Sul encerra 2025 com déficit orçamentário ajustado de R$ 4,7 bilhões

Relatório de Transparência Fiscal apresentou resultado orçamentário positivo, mas ajuste de dívidas faz números serem negativos

Estado apresenta os principais dados fiscais em 2025
Estado apresenta os principais dados fiscais em 2025 Foto : Alina Souza

O governo do Estado encerrou 2025 com resultado orçamentário positivo pelo quinto ano consecutivo. O superávit foi de R$ 2,7 bilhões, superior aos R$ 836 milhões registrados em 2024, conforme dados apresentados pela Secretaria da Fazenda (Sefaz) no Relatório de Transparência Fiscal de dezembro, detalhados na tarde de quinta-feira. Apesar disso, quando ajustado pela suspensão do pagamento da dívida com a União e pela exclusão de receitas extraordinárias, o resultado se transforma em um déficit orçamentário ajustado de aproximadamente R$ 4,7 bilhões.

A Sefaz justificou que o superávit é influenciado por fatores temporários. Assim, com o ajuste da suspensão do pagamento da dívida com a União, prevista na Lei Complementar 206/2024, e pela exclusão de receitas extraordinárias, o balanço se transforma em um déficit orçamentário ajustado de aproximadamente R$ 4,7 bilhões.

“Esse resultado que tem aparecido em todos os RTFs aponta que o Estado ainda tem trabalho a ser feito em termos de enquadramento de receitas e despesas, embora a situação hoje seja boa por causa das medidas que a gente tem tomado, especialmente relacionadas com gestão de dívida”, destacou o secretário adjunto da Fazenda, Itanielson Dantas Cruz.

O relatório aponta ainda que, com o não pagamento da dívida com a União (gerando redução da despesa não-primária) e aumento de despesas correntes e investimentos na reconstrução (aumento da despesa primária com pagamentos de R$ 1,9 bilhão), o resultado primário ficou negativo em 2025 em R$ 2 bilhões.

Conforme o governo, isso é atribuído ao fato de que o Estado deixa de pagar a dívida e amplia seus investimentos na reconstrução, além de pagar mais de R$ 2,8 bilhões em precatórios, sendo R$ 1,2 bilhão com recursos de operação de crédito.

Despesas com pessoal crescem

As despesas com pessoal cresceram 12% no ano, acima da inflação medida pelo IPCA, de 4,26%, influenciadas por reestruturações de carreiras, aumento dos gastos com inativos e sentenças judiciais.

O saldo da dívida consolidada do Estado cresceu R$ 5,1 bilhões quando comparado a 2024. Somente a dívida com a União apresentou um acréscimo de R$ 6,3 bilhões. A LC 206/2024 gerou impacto expressivo: ao substituir o antigo coeficiente CAM (somado a juros) pela atualização limitada ao IPCA e zerar os juros por 36 meses, a atualização do saldo devedor foi reduzida em R$ 10,1 bilhões no período.

Em abril de 2025, foi regulamentado o Propag pelo governo federal. A regra permite a renegociação dos contratos de dívida por um período de 360 meses, com correção monetária pelo IPCA e juros variáveis conforme a modalidade de adesão. Além disso, institui o Fundo de Equalização Federativa (FEF), que recebe aportes dos optantes pelo Propag a fim de compensar Estados com menor nível de endividamento, sendo a contribuição ao fundo uma condição essencial para a permanência no programa.

O pedido de adesão ao Propag pelo Rio Grande do Sul foi formalizado em 30 de dezembro de 2025, com o pedido de exclusão do RRF. Como o Propag incorpora os benefícios da lei complementar, o Rio Grande do Sul poderá permanecer no RRF até maio de 2027. Após essa data, o pedido de adesão ao Propag será processado, com a retomada integral dos pagamentos, inclusive as dívidas garantidas pela União (que hoje são pagas pela União no RRF).

Reconstrução já recebeu aporte de R$ 9,8 bilhões

Outro dado apresentado no relatório mostro que os R$ 6,2 bilhões que não foram pagos desde a entrada em vigor da LC 206/2024 foram transferidos ao Fundo do Plano Rio Grande (FUNRIGS), destinado à reconstrução após as enchentes.

O Funrigs também pode receber recursos de outras fontes, como fundos estaduais, pessoas físicas e jurídicas. Até dezembro, o Funrigs havia recebido R$ 100 milhões do Fundo de Reforma do Estado, que somados às transferências relacionadas às parcelas da dívida e aos rendimentos financeiros totalizaram R$ 6,7 bilhões disponibilizados ao fundo.

As despesas de enfrentamento e reconstrução, sejam executadas pelo Funrigs ou com as demais fontes de recursos, chegaram a R$ 9,8 bilhões desde 2024.

Como resultado da ampliação de gastos decorrentes da calamidade pública, os investimentos chegaram a R$ 5,4 bilhões, um aumento de 8% em relação ao ano anterior (R$ 4,9 bilhões), que já vinha com tendência de aumento após o maior controle financeiro do Estado e das privatizações.