Robaina aparece, entre sorridente e apressado, estranhando que a porta da grade esteja chaveada. A casa, que ele apresenta sem cerimônia, é alegre, parece de praia. Paredes verdes, laranja, diferentes tons, cômodos não muito largos, mas distribuídos por três andares, separados por escadas de madeira rústica. No último fica o pequeno escritório, onde estão seus livros. E só tem livros bons. "Eu leio de tudo. Sociologia, política, história, filosofia, psicanálise, economia. Agora estou lendo muito o Hegel. O Marx é o que eu mais gosto, mas quando a gente fala isso fica rotulado. E tem o Alain Badiou, o Zizek (Slajov)..."
Da janela, mostra o Guaíba, o Gasômetro e o Centro de um ângulo que poucos veem. No verão também tem os mosquitos, muitos. "Mas não é nada insuportável não, o resto compensa", assegura. E o que levou Robaina, menino da Cidade Baixa, nascido no famoso edifício Cordeiro e orgulhoso de estudar e militar no Julinho (o Colégio Etadual Júlio de Castilhos), a construir sua casa na paz da Pintada? Uma mulher.
Companheira sugeriu a mudança
Sorrindo, o candidato do PSol à Prefeitura de Porto Alegre, Roberto Robaina, explica por que mudou de endereço: "A Inez é a culpada. Ela sempre quis ter uma casa", revela. Inez Zacarias, assistente social, 30 anos, companheira de Robaina há oito, leva a "culpa" da mudança para a Ilha da Pintada porque sua família também reside no local. Ela acompanha a entrevista, acalma os dois cachorros no pátio, quando os latidos atrapalham a conversa, faz observações sobre o cabelo de Robaina. E diz para um candidato preocupado com o fechamento da ponte por grevistas e o provável atraso para o próximo compromisso. "Roberto, calma." Na saída, vai de motorista no carro do casal. Diante da pergunta: "Tu não dirige?", o socialista escancara um sorriso: "Ando de ônibus", explica.