O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da pré-campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), afirmou nesta quinta-feira que recebeu "com tranquilidade" a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de autorizar a abertura de um inquérito para investigar repasses feitos por Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, à produção do filme Dark Horse.
"Recebemos a decisão com tranquilidade e temos certeza de que a investigação demonstrará a inexistência de qualquer ato ilícito", afirmou o senador em nota encaminhada à imprensa.
O ministro André Mendonça autorizou a investigação a pedido da Polícia Federal (PF), com parecer favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR). O procurador-geral da República, Paulo Gonet, entendeu haver elementos suficientes para justificar a abertura do inquérito.
O caso envolve mensagens trocadas entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro nas quais o senador solicita recursos para financiar a produção de Dark Horse, cinebiografia de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. À época, Flávio afirmou que se tratava de um pedido de patrocínio e negou qualquer irregularidade.
O pré-candidato também ainda não apresentou a prestação de contas prometida sobre o financiamento do filme. Em 19 de maio, Flávio havia anunciado que divulgaria uma planilha detalhando os recursos recebidos em até 30 dias, prazo que não foi cumprido.
Segundo reportagem do The Intercept Brasil, Flávio negociou com Vorcaro um aporte de US$ 24 milhões (cerca de R$ 134 milhões), dos quais ao menos US$ 10,6 milhões (aproximadamente R$ 61 milhões) teriam sido efetivamente repassados até maio de 2025.
O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou considerar positiva a abertura da investigação. "É bom que apure para que tudo fique esclarecido. Acho importante a iniciativa", declarou à coluna de Bela Megale, do jornal O Globo.
A decisão do STF também repercutiu entre adversários políticos de Flávio Bolsonaro. O candidato à Presidência Renan Santos (Missão) classificou a decisão de André Mendonça como "muito republicana" e afirmou que o inquérito mantém em evidência o que chamou de "maior escândalo de corrupção da história do Brasil".
Segundo Renan, a investigação deverá esclarecer qual teria sido a contrapartida para os repasses milionários destinados por Vorcaro à produção do filme. O candidato também afirmou que o caso envolve integrantes do Centrão, ministros do STF, os governos Lula e Bolsonaro, além do próprio Flávio Bolsonaro, e disse que cobrará explicações de outros políticos sobre o episódio.
Nas redes sociais, o PT também cobrou esclarecimentos do senador. Em publicação, o partido afirmou: "Estamos há 65 dias esperando explicações do Flávio sobre o dinheiro recebido do Banco Master".
A reportagem procurou Flávio Bolsonaro e o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, para comentar o caso, mas não obteve resposta até a publicação desta matéria.